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Quanto custa?

Quanto custa?

Quanto dinheiro vai a FPF gastar com os dirigentes remunerados que Fernando Gomes – ele próprio remunerado – vai contar na sua direção? É um tema importante, porque o recém-eleito presidente da FPF prometeu canalizar algumas verbas para o desenvolvimento do futebol pela base, com o correspondente aumento de praticantes. São reformas que custam dinheiro. Mas com uma estrutura pesada (Humberto Coelho e João Pinto não vão custar menos de 30.000 euros/mês à federação) e com a discussão dos honorários em cima da mesa, num cenário de potencial contração (a crise no futebol segue dentro de momentos e vai instalar-se de uma forma brutal...), haverá mesmo dinheiro para as prometidas reformas?

Ninguém perguntou e ninguém sabe: há um estudo económico que nos permite saber quanto custa implementar o programa de Fernando Gomes e seus pares? Calculo que essas contas não estejam feitas, mas a atual direção da FPF e respetivos assalariados vão corresponder a um aumento de custos nunca vistos no passado, não obstante as mordomias de Amândios e & C.ª.

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Acampanha para a presidência da FPF correspondeu a um dos processos mais sensaborões da história do futebol nacional. Não houve verdadeiro debate (um único frente-a-frente televisivo, patrocinado pela Sindicato dos Jogadores!, entre Gomes e Marta que foi mais um... lado-a-lado, sem divergências de fundo) e a estratégia dos protagonistas foi muito conservadora, sinal porventura dos tempos.

Bem sabemos que o futebol não gosta muito de se revelar nos seus “enviesamentos sistémicos”. Basta atentar no exemplo dado por algumas SAD que contestam o volume e a natureza da informação prestada à CMVM, quando o normal deveria ser o contrário, isto é, haver disponibilidade para prestar mais e melhor informação, em nome da transparência de uma indústria que se move ainda segundo critérios de extrema opacidade.

Fernando Gomes salta da Liga para a FPF sem a mais pequena beliscadela por não ter renunciado às suas funções enquanto presidente do futebol profissional. É este comprometimento existente no futebol (subjugado ao interesse político-partidário, ao interesse económico e aos grandes, médios e pequenos poderes que entretanto se enquistam no tecido futebolístico nacional) a determinar a falta de independência e a dificuldade de qualquer personalidade se afirmar de acordo não apenas com pressupostos programáticos sempre muito vagos mas também porque as vontades próprias estarão sempre muito condicionadas pelos parceiros de ocasião.

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Considerando que a FPF dos tempos modernos tem sobrevivido de acordo com as transferências de verbas da FIFA e da UEFA, decorrentes das qualificações para Mundiais e Europeus, sem as quais seria muito difícil arranjar dinheiro para “mandar cantar um cego”, e porque o dinheiro está a tornar-se num bem escasso, haverá razões para pensar que as reformas vão conhecer um longo período de gestação, sob o alto patrocínio dos “fornecedores de luxo”? Haverá dinheiro a rodos?...

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