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António Sequeira Nunes nasceu em Lisboa, a 20 de Abril de 1943. Casado, é gestor de profissão. Há dois anos e meio à frente do Belenenses, ocupou o cargo de vice-presidente na gerência de Ramos Lopes, durante três anos e meio. Antes, esteve ligado ao clube 14 anos, como vice-presidente, director e seccionista nas áreas financeira, administrativa e desportiva.
– Está satisfeito com o seu trabalho à frente do Belenenses?
– Todos somos ambiciosos, nunca estamos satisfeitos com o que realizamos. Em relação ao Belenenses, é mais um aniversário de um clube de utilidade pública que, como tal, se tem dedicado à sociedade civil e, nesse aspecto, tem atingido os seus objectivos. O clube foi fundado por homens de grande têmpera e, segundo reza a história, sentados num banco do jardim da Praça Afonso de Albuquerque. Esperamos que tenha um futuro perene.
– Até onde pode chegar o crescimento do clube?
– O Belenenses pode crescer mais, a partir de uma base sustentada. Há uns anos atrás, numa época conseguia uma classificação razoável e na seguinte lutava pela permenência. Nos últimos dois anos, o 7º e o 5º lugares obtidos mostram que estamos a crescer, tanto na vertente desportiva como na financeira e na económica.
– O crescimento passa, também, pelas infra--estruturas?
– O clube esteve adormecido e agora está na fase de "elefante acordado". A vertente desportiva tem de contemplar as várias modalidades. As infra-estruturas têm sido melhoradas, com o campo sintético para a prática de futebol e râguebi, um piso novo no pavilhão polidesportivo, novo piso sintético a iniciar a construção de um polidesportivo descoberto, reformulação das cabinas e das estruturas adjacentes, nova iluminação e em Outubro vamos arrancar para a cobertura do topo norte do estádio. Mais tarde, trataremos da cobertura dos lados poente e nascente.
– Estes melhoramentos foram comparticipados?
– Tivemos a comparticipação da Câmara Municipal de Lisboa. Se o Belenenses não tivesse optado pela reformulação do complexo desportivo, corríamos o risco de, daqui a dois ou três anos, sermos ultrapassados por todos os clubes que aderiram ao Euro-2004. Estou convicto de que o nosso estádio vai ser igual ou melhor do que alguns que estão hoje e ser edificados.
– O clube tem mais projectos na forja?
– Enquanto outros destroem, nós vamos construir uma pista de atletismo em piso sintético. Com a do Estádio Universitário, fará a cobertura da modalidade em Lisboa, pois o Estádio Nacional é concelho de Oeiras.
– Qual é a última vitória que guarda na memória?
– No meu tempo, é a última Taça de Portugal, ganha quando o Marinho Peres era treinador.
– É um técnico talhado para o Belenenses...
– É um facto. É um treinador que conseguiu acompanhar a mística do clube, as suas carências, o seu grande prestígio e como tal está inserido na sociedade azul.
– Não haverá um excesso de jogos na televisão?
– Penso que não. Em Espanha, acontece o mesmo, e ainda mais com os canais regionais, e continuamos a ter estádios cheios. A não ida aos campos não é fruto de o espectáculo ser televisionado, mas a outros factores de carácter social que até agora não têm sido compatibilizados.
– Uma mensagem aos associados.
– Gostaria que comparecessem mais nos jogos, que enchessem as bancadas do Restelo.
Cerca de 25 mil associados
O Belenenses passa por uma fase de estabilidade a nível de associados. "Temos mantido os 24/25 mil sócios, dos quais 40 por cento são praticantes. Temos 61 filiais e núcleos espalhados pelo continente, Açores, Madeira, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Timor, para além dos EUA e de alguns países europeus", esclarece o líder dos azuis. E prossegue: "Temos 19 modalidades, desde o andebol ao xadrez. E todas elas contemplam a formação, excepto o motorismo (risos)." Quanto ao andebol ser a mais acarinhada, explica que "a Direcção defende todas as modalidades, dentro do seu espaço no clube".
Recordar figuras do passado
Neste 83º aniversário, Sequeira Nunes recorda: "Falámos do passado para projectarmos o futuro. Do passado, quando do descerramento da lápide ao capitão Soares da Cunha, o homem nº 1 do Estádio do Restelo, na ida à campa de Francisco Mega, grande presidente do clube e da FPF, e, como é habitual, ao mausoléu de Artur José Pereira, "Pepe" e Matateu. Outro jogador prestigiado foi Vicente. "O Matateu foi mais falado naquela época, mas o Vicente foi um atleta que criou mais raízes no seio do Belenenses. Ainda hoje são evidentes. Figuras grandes do clube há em todas as modalidades, mas tinha de consultar o livro do Acácio Rosa para não cometer alguma injustiça."