Verdades e mentiras

Verdades e mentiras

Há uma frase célebre no futebol português (já lá vão 25 anos) que permanece tão atual como no tempo emque foi proferida: “O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira”. Esta espécie de fenómeno paranormal surge no universo futebolístico muitas vezes sem qualquer tipo de explicação lógica ou razão aparente, gerando curiosidade e levantando questões para as quais não se encontra uma resposta fácil.

O que levou Godinho Lopes a elogiar (e apoiar) Domingos Paciência num dia e a despedi-lo 24 horas depois? É ummistério. Trunfo nas eleições para a presidência do Sporting, o treinador assumiu uma equipa nova e umprojeto de longo prazo para voltar a discutir o título. Era preciso tempo e não houve paciência. Domingos não resistiu a umdespedimento que não foi consensual e deixou os adeptos leoninos com a sensação de que a SAD cometeu um erro.

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Domingos Paciência terá certamente nova oportunidade para treinar um grande. Polémicas à parte, não será descabido pensar que um dia será treinador do FC Porto, pela qualidade que teme pelo passado ligado ao clube. Agora não faz sentido, nenhum, colocar em causa o seu profissionalismo, através de fontes não identificadas que tentam “cozinhar” notícias para proveito próprio.

E Sá Pinto? Terá pela frente a missão de encurtar distâncias na luta pelo terceiro lugar, que dá presença na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, importantíssima face à situação financeira dos leões. O novo treinador do Sporting jogará a final do Jamor, entregue de bandeja por Domingos, onde poderá conquistar o seu primeiro troféu. Pelo amor ao clube, pela garra e dedicação que sempre mostrou, Sá Pinto poderá ser uma boa solução. Contudo, se a aposta falhar, Godinho Lopes sairá inevitavelmente fragilizado.

Depois de vermos a superpoderosa equipa do ano passado, quem diria que o FC Porto de Vítor Pereira iria passar por tantos problemas? Nas eliminações da Taça de Portugal e na Liga dos Campeões, assim como em alguns jogos do campeonato, o nível evidenciado pelos dragões foi confrangedor, sobretudo no capítulo ofensivo, onde os remates à baliza chegaram a ser uma miragem. Com as chegadas de Lucho e Janko ao Dragão, a equipa parece mais equilibrada para continuar a lutar com o Benfica na Liga, mas não deixa de ser surpreendente a quantidade de jogadores do núcleo duro da época anterior que deixaram o plantel neste mercado de inverno. Algo correu mal. Resta saber se os remendos ainda irão a tempo.

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Por que será que em Portugal existe a tentação de crucificar Bruno Alves e acusá-lo de jogador violento? O jogo entre o Zenit e o Benfica voltou a trazer a discussão à baila, a propósito da lesão de Rodrigo. É bom não esquecer que o central português já passou uma época inteira sem ver um cartão amarelo. É um defesa duro e agressivo,mas não maldoso. Está a criar-se, desnecessariamente, uma imagem negativa de umdos jogadores mais importantes que a Seleção Nacional vai apresentar no Euro’2012.

Para fazer um contraponto, veja se o caso do benfiquista Axel Witsel. Antes de vir para Portugal e de nos ter dado a conhecer a sua enorme qualidade futebolística, provavelmente muitos portugueses só tinham ouvido falar dele por causa de um aparatoso lance, na Bélgica, em que provocou uma lesão gravíssima a um adversário. Isso dá-lhe o rótulo de jogador violento? Não. Até é um dos jogadores mais corretos que passeiam pelos relvados nacionais.

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