Paulo Vinícius Coelho
Paulo Vinícius Coelho Jornalista

O Brasil por Portugal

Portugal vai jogar e o Brasil vai olhar. Não é bem verdade que o país inteiro vai prestar atenção, mas quem gosta de futebol precisa de ver a seleção portuguesa.

Notar como uma nação de 10 milhões de habitantes podem ter um Bernardo Silva, enquanto a seleção de Fernando Diniz escala quatro atacantes, por não ter um grande centro-campista.

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Ver também Matheus Nunes e Otávio. Em especial, Matheus Nunes. Um puto carioca, adepto do Flamengo, que não quis jogar pelo Brasil, porque diz sentir-se português. E faz todo o sentido, porque saiu do Rio de Janeiro para a Ericeira, quando ainda era um miúdo de doze anos.

Meu pai nasceu em Lisboa em 1945 e dez anos depois mudou-se ao Brasil. Pergunto a ele: "Na Copa de 66, tu torceste por Portugal? E na Minicopa de 72, quando já havia TV em directo?" Seu Luiz, meu pai, responde: "Sempre para o Brasil."

E vovô?

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Seu Alexandrino, também nascido em Lisboa em 1922, gostava mesmo era do Belenenses. Tinha um carro cor de vinho, com um emblema dos Belenenses à frente. Ensinou-me a equipa campeã de 1946, segundo ele com Sério, Vasco e Feliciano; Amaro, Gomes e Serafim; Mário Coelho, José Pedro, Andrade, Quaresma e Rafael.

Qualquer tipo de equívoco – escrevi Sério com C – é culpa minha. Meu avô não errava. Podia equivocar-se, no máximo. Mas vejo na página do Record sobre os primeiros heróis que seu Alexandrino estava certíssimo! (https://www.record.pt/futebol/detalhe/os-primeiros-herois)

Meu pai torcia pelo Brasil. Meu avô, silenciosamente, Portugal.

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O que isto tem a ver com este Portugal que jogará contra o Liechtenstein e tem Otávio e Matheus Nunes – e muitas vezes ainda tem Pepe? Tem tudo a ver com este mundo de xingamentos, de que tu não és daqui ou tu és de lá...

Também como o futebol de hoje, em que seleções nacionais tornaram-se planos de carreira, em alguns casos. Em outros, não. Matheus Nunes tem todo o direito de se sentir português e ser adepto do Flamengo e, no Mundial, querer que ganhe sempre o Brasil – menos contra Portugal.

Era assim com o meu avô. E, ao revés, com meu pai, lisboeta e adepto brasileiro.

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Por Paulo Vinícius Coelho
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