Há pequenos grandes de mais para desaparecerem cedo. Kiko Rosa tinha 8 anos. Jogava râguebi no Belenenses quando lhe apareceu a doença. Um neuroblastoma resolveu dificultar a vida do pequeno jogador e pô-lo à prova quando apenas devia brincar. E Kiko surpreendeu tudo e todos ao não desistir. A paixão pelo râguebi e pelo desporto era tão grande que chegou a jogar de cateteres ao peito. Não interessava a dor ou o sofrimento. Ali era feliz. Com esta força surpreendeu árbitros, colegas e pais que passaram jogos a chorar ao ver tamanha grandeza.
O Kiko não venceu. Morreu cedo, 8 anos é muito cedo. Mas estava destinado a ficar na memória. Ontem realizou-se a sexta edição do torneio Kiko Rosa. No Restelo, a sua casa. Ali se juntaram famílias inteiras, jogadores, num espírito de partilha e amor ao râguebi que o Kiko deixou de herança. O pai diz sempre que este é um dia de emoções díspares. Vive-se a alegria mas chora-se a saudade. Mas assim, com este torneio, perpetua uma das mensagens do filho: não há cura para o râguebi.