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O empate no último clássico, disputado no Dragão, juntou Sporting a FC Porto na liderança da Liga, e com cada um deles com mais três pontos, só, do que o Benfica que, de repente, voltou a respirar e a sustentar a esperança de chegar ao primeiro penta da sua história. O que era de todo impensável há duas semanas. O empate no clássico baralhou, pois, todas as contas no topo da classificação, e se tudo está como está muito se ficou a dever a duas arbitragens – as de Jorge Sousa neste FC Porto-Benfica e de Rui Costa no Aves-FC Porto – que prejudicaram claramente o dragão.
Esta competitividade, surpreendente competitividade, com três candidatos ainda de corpo inteiro ao título e quando se aproxima o Natal – o que não tem sido normal nos últimos anos – está pois manchada pela polémica, e aqui Sérgio Conceição, sempre no seu jeito agressivo, o que só lhe fica mal, tem toda a razão, quando afirma que "em cinco dias foram quatro pontos, quase um por dia". O que faz toda a diferença quando se olha para a classificação e só não vê quem não quer ver.
O que importa, contudo, é que os três grandes estão na frente, com mais ou menos verdade desportiva, e daqui resulta uma outra leitura: o Sporting, que passa entre os pingos da chuva das ‘guerras’ dos rivais, soube aproveitar-se dessas distrações e faz o seu caminho; o Benfica soube, por sua vez, vencer as adversidades próprias, e "mantém-se vivo"; o FC Porto, apesar de tudo o que lhe tem acontecido, concluiu que não está tão forte quanto julgava estar, embora seja nesse tipo de cenário que melhor se posiciona.
Por Jorge Barbosa