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Na passada 6.ª feira, li com muita atenção e acuidade as linhas gerais do novo plano estratégico da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) que o Record nos trouxe. Importante referir que sem ter acesso ao documento integral não é possível uma opinião mais completa e afoita, na medida em que apenas tomámos contacto com aquilo que a estrutura de comunicação da Liga e da EY fez chegar junto da opinião pública. A parte ‘boa’. Da eventual análise SWOT (ou equivalente) que foi feita, fiquei curioso por saber quais as fraquezas (W) e ameaças (T) identificadas.
Ainda assim, é claramente um plano com muitas ideias valiosas, carregado de ambição mas receio que, infelizmente, algo desfasado da nossa realidade contemporânea, fruto da mentalidade pequena e cultura mesquinha vigentes no nosso futebol.
Segundo pudemos ler, as 5 principais ideias deste novo plano 2023/27 assentam em: 1.º - No compromisso com o adepto; 2.º - Na elevação do produto; 3.º – Na credibilização pelo profissionalismo; 4.º - Na união de todos os agentes; 5.º – Num futebol com responsabilidade social.
Ora basta ter estado atento aos jogos Benfica- Sp.Braga e FC Porto-Casa Pia para perceber que com estes ‘artistas’ em palco (jogadores, treinadores e dirigentes) e cultura vigente, será impossível ter um espetáculo dotado de um compromisso sério e límpido com o adepto, em que este possa levar as famílias ao estádio sem medo ou receio de ser agredido, cuspido ou vilipendiado, em que assista a um espectáculo desportivo elevado, sem agressões, ofensas, mentiras, simulações, enganos ou outras práticas antidesportivas e em que todos os ‘stakeholders’ trabalhem unidos na defesa do mesmo produto.
Pedro Proença classificou os seus primeiros mandatos como de "recuperação" (o 1.º) e "consolidação" (o 2.º) . Sem dúvida que terá o seu quê de inegável o trabalho de recuperação financeira feito na LPFP nesse período. Só que faltou algo. Algo para que o Presidente da LPFP alerta como sendo a "nossa última oportunidade".
Só que, para este terceiro quadriénio que se inicia, com exceção do 5.º eixo do supracitado plano estratégico (o da responsabilidade social) hoje em dia muito em voga e politicamente correto, que fica sempre bonito colocar num powerpoint, todos os demais 4 pilares, dependem muito mais das SAD, dos seus dirigentes e agentes desportivos do que da estrutura directiva da Liga.
Assim, o ex-árbitro e a estrutura profissional da LPFP têm um enorme desafio pela frente, pelo menos enquanto ali estiverem, na medida em que contrariamente aos primeiros dois mandatos, desta vez a boa execução dos seus objetivos estratégicos dependem muito mais do trabalho, comportamento e desempenho de terceiros, do que deles próprios e esta é, claramente, a grande ‘ameaça’ ao futebol profissional português e ao plano de Pedro Proença.
Por Luís Miguel Henrique