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Nuno Félix
Nuno Félix Scout internacional

Ex-Sporting Afonso Moreira: números que expõem o erro

Os factos são objectivos. Desde que chegou ao Olympique Lyonnais, Afonso Moreira participou em cerca de duas dezenas de jogos oficiais, ultrapassou a barreira dos 1.000 minutos de utilização e fixou registos que ultrapassam já os objectivos que havia fixado para a sua primeira época em França: entre quatro a cinco golos e seis a sete assistências em todas as competições.

Traduzindo em eficácia: participação direta em golo praticamente a cada 90 minutos.

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Num contexto competitivo exigente como a Ligue 1, afirmou-se como opção regular no onze e elemento influente na dinâmica ofensiva.

Os dados sustentam a evolução. Percentagens elevadas de passe no último terço, capacidade de criar ocasiões claras e impacto consistente em jogos de maior exigência.

Aos 20 anos, demonstra maturidade tática, intensidade sem bola e produtividade ofensiva assinaláveis e ainda com larga margem de progressão. Na presente temporada ultrapassa mesmo, nas métricas de produção ofensiva, todos os actuais selecionáveis para Roberto Martinez a jogarem na mesma posição.

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Mas na sua ascensão à primeira equipa do Sporting, o seu enquadramento foi distinto. Formado integralmente na Academia, titular em todos os escalões, capitão em etapas decisivas do seu percurso formativo, Moreira representava um custo zero em termos de aquisição para a equipa de Rui Borges. Ainda assim, saiu por cerca de 2 milhões de euros... Saldos!? Pechincha? Até o Amora vende mais caro parciais dos direitos desportivos do Catamo.

Decorrente deste desperdício, o clube investiu na mesma posição valores que, somados, se aproximam dos 40 milhões de euros: 6 milhões em Biel, cerca de 2 milhões em Alisson, e aproximadamente 25 milhões no conjunto das contratações de Faye e Luís Guilherme.

Trataram-se de esforços financeiros significativos para suprir uma necessidade que fica provado agora, não existia! E os mais críticos poderão até alegar que Afonso Moreira foi despachado para o Lyon para abrir caminho para que estes, ou outros, negócios se realizassem.

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A critica direta é razoável: substituiu-se um ativo formado em casa, sem custos de aquisição, por um conjunto de investimentos elevados cujo retorno desportivo permanece por validar.

À luz dos números que tem vindo a produzir em Lyon, a decisão revelou-se lesiva para o Sporting Clube de Portugal, tanto no plano desportivo, como o foi à época financeiramente altamente discutível.

Por Nuno Félix
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