Esta época Gyökeres está a fazer o pleno, em 33 jogos oficiais do Sporting o avançado sueco participou nos 33! Na época passada, e apenas por castigo, falhou 1 jogo para as competições europeias. De resto sentou-se apenas 3 vezes no banco nas competições domésticas jogando nada mais nada menos do que 50 jogos a titular.
Gyökeres acabou o ano civil de 2024 como o máximo marcador mundial pelos golos marcados tanto pelo seu clube como na sua seleção. Um nível de produtividade sob todos os prismas de análise no plano do absurdo, superando todas as espectativas e alavancando o seu valor de mercado para um recorde absoluto na Liga Portugal (o que é diferente dos valores que estão previstos nas clausulas de rescisão dos jogadores ou daqueles que já foram pagos no passado por craques de outros clubes nacionais).
Na temporada 2023/2024 Gyökeres continuava a marcar golos e a ter um impacto visível, quer no decorrer das partidas, quer no modelo de jogo que a sua equipa adotou, mas mentirá quem diga que terminou a temporada a jogar da mesma forma como a começou. Continuou a marcar e a assistir, mas a explosão, sem se extinguir, já não era aquele estrondo, e o jogador que raramente não completou os 90 minutos, em vários jogos ameaçou dar o estouro.
Vi-o mancar em diversas ocasiões e aquela imagem recorrente no jogador alongando durante os jogos e agarrado às canelas era um claro aviso.
Certo é que assim que a temporada acabou o sueco foi à faca e aí Ruben Amorim veio finalmente assumir que o jogador jogou meia época lesionado.
Independentemente da natureza dessa lesão em particular, da sua total e completa recuperação, e do profissionalismo de todos os técnicos que o acompanharam não restam quaisquer dúvidas que o atleta foi espremido até ao tutano. Gyökeres foi utilizado com uma tal consistência que nunca chegámos sequer a ter uma ideia do como teria jogado o Sporting campeão nacional sem a sua referencia máxima no ataque.
Com Ruben Amorim, e até ao dia de hoje, em 3-4-3, 5-2-3, ou em 4-4-2, entra treinador, sai treinador, este é o Sporting de Victor Gyökeres!
No entanto não há forma de fazer todos os jogos de uma temporada, e nestes a quase totalidade dos seus minutos, quando se trata de um jogador que vive, em grande medida, da sua capacidade física, nas suas componentes de aceleração e velocidade, complementa as consecutivas mudanças de velocidade com o retirar partido do contacto que procura em muitas ocasições. Mais cedo ou mais tarde o jogador rebenta, e nem é necessário esperar por uma lesão de natureza traumática, cujas probabilidades de acontecer também disparam com a sobre utilização.
Qual era a necessidade ter entrado contra o Amarante?
Que coerência existe em admitir num dia, que o esforço do jogador tem de ser gerido, e no dia seguinte e faze-lo jogar 89 minutos? Foi o que aconteceu no último jogo para campeonato, jogo esse em que se revelou confortável para o Sporting e onde o atleta já dava sinais de algum desgaste ainda durante a primeira parte?
Regra essencial para o futebol e para a vida:
"-Poupar quando se pode para se gastar quando se deve!"
Podem dizer que o cansaço não é algo tangível, mas com os recursos científicos disponíveis pode ser mensurável com grande precisão e ao contrário do que muita gente fala, não bastam as tais 72 horas de recuperação. O cansaço é acumulável e passando determinados limiares de esforço pode deixar um lastro no atleta que exige tempo e metodologia especifica de recuperação que pode implicar o seu afastamento da competição durante largos períodos.
É certo que Gyökeres tem de estar nas melhores condições possíveis para jogar contra o FC Porto daqui a 10 dias, mas esta escolha apenas se tornou inevitável devido à falta de antecipação de uma sobrecarga física.
Até já eram evidentes alguns comportamentos do jogador em campo, como o sejam, a sua exposição à queda por contacto que esta temporada aumentou exponencialmente, onde no ano passado levantava-se e continuava a carregar sobre os adversários, este ano fica no chão a pedir falta.
E esta noite Viktor Gyökeres vai fazer muita falta contra o Bolonha, sendo certo que se o Sporting não passar desta fase de grupos, todos virão lamentar a falta que o sueco fez, e pedir contas sobre esta estranha calendarização de gestão de esforço.
Por Nuno Félix