A coação sobre os árbitros de futebol, ou de qualquer outra modalidade que movimente dinheiro e multidões, é uma das situações a merecer a atenção do Legislador numa futura e necessária revisão do regime penal português. Não é admissível que quem dirige jogos e tem de decidir em frações de segundo possa ter no subconsciente riscos para si ou para a sua família.
Todos os que se relacionam com o desporto de forma positiva estarão de acordo com severas punições para os energúmenos que pressionam quem administra a justiça dentro de campo. Uma coisa é a pressão sobre os árbitros, que, à vez, fazem dirigentes e treinadores das principais equipas nacionais. Aí, basta a aplicação das regras que balizam a justiça desportiva. Outra coisa, bem diferente, é a ameaça física exercida por bandidos, ligados a claques ou a gangues, sobre os árbitros ou sobre as suas famílias. Nesses casos, é o Estado e a sua autoridade que ficam em causa. A reação social deve ser enérgica e pesada.
Em Portugal criou-se um limbo de impunidade para os que emanam das multidões das bancadas como autoproclamados chefes de claques. Essa impunidade tem de ter um fim. O futebol deve ser um espetáculo para as famílias, a bem da saúde social e dos investimentos milionários que gera. Sempre tão disponíveis para imitar o que chega de fora, por que não olham os nossos governantes e deputados para o que a Inglaterra fez já no século passado? As famílias passaram a estar unidas na festa das bancadas. Os bandidos foram presos e banidos do espetáculo. Um exemplo a seguir.
Por Octávio Ribeiro