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Só um fenómeno nacional ultrapassa a velocidade da luz – a chegada da crise às maiores equipas de futebol. Agora é o Benfica que já vê o autocarro rodeado por adeptos, ouve petardos e cheira a pólvora. O quero tudo e quero agora tem hipérbole nas claques da bola.
Da mesma forma que defendi há semanas que o Sporting não estava afastado do título (dias depois da cordial visita dos chefes da Juve Leo a Alcochete), devo escrever agora que o Benfica não está ainda em crise. Passa apenas por uma estranha fase de desorientação. Uma desorientação inexplicável mas profunda. Que leva o treinador a más opções no desenho da defesa, na meia-final da Taça da Liga. Que motiva palavras duras ao árbitro, após a derrota. Com Rui Vitória fora do banco, a desorientação aprofunda-se no Bonfim, com uma equipa à deriva, sem capacidade de encontrar espaços. A jogar lentamente, de pé para pé, para trás e para os lados. É janeiro, o Benfica está exausto?
O momento mais marcado e quase ridículo de insegurança, neste Benfica de Setúbal, chega a meio do primeiro tempo, quando os laterais trocam de flanco, para depois voltarem do intervalo nas posições iniciais. No flanco direito, durante longo tempo, o mais eficaz tampão às naturais subidas de Nélson Semedo foi o seu colega Zivkovic, incapaz de procurar jogo na meia direita. O jovem canhoto colou-se tanto à linha lateral, que esta, mais do que um mero traço no chão, parecia servir-lhe de bengala. E ninguém diz ao miúdo para entrar mais para dentro dos lances? Ninguém o ensina a deixar espaço ao pé direito de Semedo?
A crise pousou agora as asas na Luz. Vamos ver se voa e para onde, depois do clássico no Dragão.
Por Octávio Ribeiro