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O FC Porto chegou aos primeiros milhões da Liga dos Campeões com todo o mérito. Acabou a jogar contra nove, por inteira culpa do adversário que, por duas vezes, testou a coragem do árbitro na simples aplicação das leis. Duas entradas violentas, duas expulsões justas. Com a vitória alcançada, é talvez a melhor altura para identificar alguns pontos de fractura neste plantel de Nuno Espírito Santo. Se a memória não me trai, era Pedroto quem dizia que ter um brasileiro na equipa é bom, dois é aceitável. Três são uma escola de samba.
Adaptado ao presente, três mexicanos numa equipa portuguesa aproximam-na perigosamente de um grupo de mariachi. Analisados individualmente, qualquer deles é bom jogador e, talvez, até excelente profissional. Mas o futebol mexicano, mesmo o de mais alto nível, padece de fatais falhas de concentração, nos confrontos mais exigentes. Os jogadores tratam a bola com carinho, têm boas dinâmicas ofensivas, mas abrem abismos tremendos na hora de defender.
Ontem, os três mexicanos estiveram muito bem. O jogo tornou-se fácil, com alguma anarquia defensiva dos italianos, depois de ficarem sem duas peças. Nada melhor para o hedonismo optimista do futebol mexicano. Mas cá estaremos para ver como se comporta a banda de mariachis quando os jogos se decidem em detalhes de posicionamento e concentração constantes em noventa minutos de jogo de xadrez. Se Pinto da Costa ainda precisa de vender, que venda bem e depressa uma das suas guitarras mexicanas. Ter um jogador mexicano é bom, dois é aceitável, três podem transformar-se numa dor de cabeça que nem a ressaca de forte mescal.
Por Octávio Ribeiro