Lopetegui arranjou um defensor oficioso – o impante Jorge Jesus. Depois de arrumar o rival do norte com uma saraivada de futebol respondida com bocejos, Jesus sacou do revóver contra os jornalistas que ainda se recordam de que a sua missão é colocar interrogações. Para o treinador do Sporting não se pode fazer perguntas incómodas a Lopetegui. Ninguém deve questionar o basco errático sobre o seu futuro porque Jesus não quer. E quando Jesus vence, Jesus manda.
Depois veio o elogio fácil. O FC Porto é uma equipa bem conduzida, cheia de vontade de vencer, e pátáti pátátá.
Conversa da treta para convencer lorpas. O que Jesus diz é igual ao que Pinto da Costa dizia de Vale a Azevedo, quando começou a contestação ao burlão da Luz. Jesus garante que Lopetegui é competente; Pinto da Costa dizia que Vale e Azevedo tinha legitimidade democrática. Ambos queriam dizer – deixem estar esse, que me dá imenso jeito.
E dá. A Pinto da Costa dava jeito um presidente prestidigitador, que estava a fazer desaparecer o maior rival por umas enormes mangas. A Jesus nada soa melhor do que um basco que acusa os jogadores em cada lance falhado e inventa mais um onze em cada esquina do campeonato.
Jesus e Pinto da Costa têm coisas tão parecidas que um dia ainda se encontram a trabalhar juntos. E um presidente que deixa todo o palco mediático ao treinador, não disputa os holofotes do estádio, não grita para dentro das quatros linhas, é algo de que Jesus já deve ter saudades.