Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

O momento de Peseiro

O momento é a exata fração de segundo em que tudo poderia ser diferente se se fizesse outra coisa. No fundo, o momento é a encruzilhada. A vida é feita de encruzilhadas. Como diz o grande Sérgio Godinho, de pequenos nadas. Cada momento é irrepetível. Não adianta pedir – o filme não volta atrás.

Quando Maicon decidiu sair a jogar, sonhando a bola por debaixo das pernas do adversário, teve um momento. Perdeu. O que se passou depois regista o estado por que passa uma grande bandeira portuguesa. Depois deste momento falhado, o treinador de Maicon cumprimentou-o na saída. Minutos após, coube a Brahimi ser substituído. O treinador deu-lhe uma pancada afetiva na cabeça. O argelino respondeu com um arremessar do blusão.

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Nenhum jogador gosta de ser substituído, apesar do que se passou com Maicon, que, com o seu gesto, apenas quis mostrar que não devia sequer ter entrado. Sobre Maicon, e a extrema liberdade de expressão de que gozam consortes brasileiras no atual momento do FC Porto, já quase tudo se escreveu.

O que queremos sublinhar aqui é o momento de um competente técnico português. O que levou Peseiro a aceitar o convite do manicómio em que se transformou o ninho do Dragão?José Peseiro tinha um tiro para dar como candidato a treinador ganhador num dos três grandes (depois de ter posto o Sporting a jogar bem sem ganhar nada). Aceitou este desafio do decrépito Pinto da Costa. Falhou o seu momento único de reentrada. Ou vai surpreender com uma vitória na Luz?

Por Octávio Ribeiro
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