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O nível de gritaria nas televisões, cafés e empresas de Portugal espelha bem a emoção que este campeonato gerou em grande parte dos amantes do futebol. É em anos assim que mesmo os adeptos não praticantes saem da sua neutralidade suíça e assumem a paixão. Um calor que vem do berço ou de qualquer lugar inexplicável, cromático, sonoro, olfativo, vá lá saber-se. Uma vez testemunhei a explicação do inexplicável feita por uma grande diva brasileira. Dizia não saber por que era do Internacional. Que era uma sensação de pertença que descobrira em pequena, pelos sons e pelas cores. Que não, que os pais não eram adeptos desse clube.
É esse inexplicável sentimento de pertença às grandes tribos do futebol português que faz desta semana tão especial. Claro que seria ainda mais especial se o FC Porto não estivesse numa mudança de ciclo, que se deseja rápida e bem-sucedida. Com Benfica e Sporting a venderem saúde, se o FC Porto aparecesse para lutar pelos títulos a que a sua grandeza sempre aspira, então o campeonato português seria dos melhores da Europa. Mas como o Porto está sem ideias nem energia construtiva, o mais a que Pinto da Costa pode aspirar neste seu ‘último mandato’ será pagar pelo técnico de um rival qualquer coisa como dez milhões de euros, ou voltar a uma fórmula que já se mostrou feliz, fazendo regressar André Vilas-Boas.
Mas estas serão contas a fazer após o final do campeonato e da Taça de Portugal. Cabe aos portistas observarem no sofá as emoções que este ano ficaram concentradas em dois quilómetros da Segunda Circular lisboeta.
Por Octávio Ribeiro