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Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

O sonho não joga nada

Ao ver o jogo de ontem, quando o relógio chegava aos 90 e nem a entrada tardia de Quaresma poderia já resgatar a esperança numa vitória, dei por mim a lembrar o génio de Pessoa, na pele do seu heterónimo Álvaro de Campos, quando a dado passo de um dos seus poemas maiores, ‘A Tabacaria’, exclama : ‘O mundo é para quem nasce para o conquistar/ E não para quem sonha que pode conquistá-lo’.

Portugal apareceu ontem em campo toldado pelo sonho. Deve ter sido por isso que Fernando Santos não apostou em Quaresma, que ‘só’ tinha marcado três golos no último jogo, para depois, em desespero, o lançar quando já ninguém se entendia em campo. Se há qualidade que Fernando Santos cultiva é a da coerência.

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Só pode ser por estar estremunhado com tanto sonho lindo, envolto em canções de embalar entoadas até por Marcelo e António Costa, que o selecionador não aposta num jogador como Quaresma de início (face aos últimos dias, acharíamos que está no banco mas sem condições para jogar) e depois o coloca em risco para jogos futuros, com um lançamento aos 76’. Deve ser por excesso de sonho e pouco estudo, que a Seleção teimou em marcar cantos e fazer centros por alto para a área adversária. Só pode ser por estar a sonhar em demasia, que Santos demora 20’ a mexer na equipa depois de sofrer o empate.

Que este banho gelado nos sirva de lição. Só assim encontraremos caminho sólido para conquistar o Euro. É que, meus senhores, de nada serve sonhar conquistá-lo.

Por Octávio Ribeiro
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