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Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Pagar para ganhar? Sim!

Lamento incomodar as consciências puras dos que defendem a proibição de profissionais de futebol serem pagos para ganhar. Não concordo minimamente com esta visão, apesar de a ver partilhada por personalidades que muito estimo pessoal e profissionalmente.

Permitam-me que defenda a seguinte posição, certamente modelada pela minha já distante experiência no futebol profissional: se um jogador, que vive do seu trabalho no futebol, em lugar de ter a promessa de um prémio curto e incerto, de um clube à beira da penúria, tiver a garantia de uma boa quantia recebida logo que termine o jogo em causa – tal facto, positivo na área motivacional, desvirtua ou mantém firme a verdade desportiva?

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É suposto uma equipa entrar no campo para deixar correr o jogo de feição à equipa contrária? Não – estamos de acordo. Mas é também o dinheiro que motiva os bons profissionais. Um bom profissional nunca aceitará receber uma verba, por maior que seja, para perder. Mas, qualquer bom profissional quererá ser pago o melhor possível para cumprir a sua missão de tentar ganhar. É com o dinheiro que ganha de forma honesta, que um bom profissional de futebol alimenta a família e deveria poder amealhar para um final de carreira, inexorável logo ao virar dos trinta anos. 

Pagar para ganhar só pode gerar um problema: eventualmente levará alguns jogadores à tentação do doping. Mas é para isso que os controlos devem existir sempre, e especialmente nas últimas jornadas. Ou esse elemento, de facto essencial para a verdade desportiva, não está assegurado para a ponta final deste campeonato escaldante?

Por Octávio Ribeiro
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