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Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Um desolhar mortal

No futebol já se tinha visto e ouvido de quase tudo, até a metáfora do porco a andar de bicicleta. Mas, por mais anos que o leitor leve de vida e de paixão por este jogo empolgante, aposto que nunca tinha testemunhado um despedimento em plena tribuna de honra. Comunicado com um breve olhar. Ou, mais próximo do que realmente se passou, um desolhar.

Aquele desolhar de Pinto da Costa para Peseiro entra diretamente para os grandes momentos clássicos do futebol português. Estava Peseiro à espera de um gesto de conforto, após uma derrota traumatizante, e Pinto da Costa, qual general prussiano, fuzila-o com balas de gelo num cruel desolhar. Peseiro culminou mais uma época de equívocos azuis e brancos, com a opção por Helton na baliza e aquela incrível dupla de centrais. Como se a final fosse para apurar o melhor dos bons rapazes – aí ninguém poderia bater Peseiro e as suas opções, que, se não lhe dão taças, o aproximam do Céu.

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Se Casillas falhasse uma saída, para o um-zero, e minutos depois desse a bola a um defesa desajeitado e sob pressão, para o dois-zero, os erros seriam de Casillas. Mas como Peseiro quis ser bonzinho e deu a titularidade a um guarda-redes sem rodagem, os erros são inteiramente do treinador. Quando um treinador, num jogo decisivo e irrepetível, perante dezenas de milhar de adeptos sedentos de títulos, resolve fazer opções de risco, coloca ainda mais a cabeça no cepo.

Cabeça que Pinto da Costa se apressou a cortar, logo ali, debaixo do nariz de Marcelo, com todo o País por testemunha.

Por Octávio Ribeiro
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