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Paulo Futre
Paulo Futre

Voltou o fantasma de Mourinho

Em 2010, no dia seguinte à apresentação oficial de José Mourinho como treinador do Real Madrid, ele ligou-me e convidou-me para jantar no hotel onde estava hospedado com o grande Silvino e o Rui Faria. Recordo-me que uma das primeiras perguntas que fiz foi sobre o jogo da segunda mão das meias-finais da Champions League, entre o Barcelona e o Inter Milão, que tinha sido poucas semanas antes. Naquela partida os culés tiveram 86 por cento da posse de bola, uma barbaridade, mas mais incrível ainda foi que, mesmo com a expulsão de Thiago Motta aos 28 minutos, deixando o conjunto italiano com 10 jogadores, Messi e companhia praticamente não tiveram oportunidades claras de golo até ao final do jogo. Os homens do Mourinho naquela noite histórica só remataram uma vez à baliza, mas defensiva e taticamente foi o jogo mais perfeito que vi até hoje de uma equipa com 10 jogadores. O Inter passou a eliminatória e acabou por ser campeão da Europa depois de derrotar o Bayern Munique na final.

"Zé, o que disseste aos teus jogadores depois da expulsão de Motta", perguntei. O génio respondeu-me com outra pergunta: – "Sabes qual era o nosso grande inimigo a partir do minuto 28, Paulinho?"

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– "Não", respondi.

– "A bola. De cada vez que tivéssemos a bola em nosso poder e a perdêssemos, aconteciam os únicos momentos em que o Barcelona nos podia surpreender. Eles com espaços são mortais. Para defender com a máxima perfeição, estar sempre bem colocados e compactos dentro do campo, e não cometer nenhum erro defensivo, só tínhamos uma solução. O que disse aos jogadores ao intervalo foi ‘A bola é para eles, a nossa missão é defender e nada mais do que defender. Hoje esqueçam a bola porque é o nosso pior inimigo!" Que génio...

Caldeirada da semana

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Ano difícil para Conte

Sem dúvida que esta época não está a ser nada fácil para o treinador do Chelsea, Antonio Conte. Depois dos problemas que teve com Diego Costa no verão e das guerras contínuas com José Mourinho e dos maus resultados, o técnico italiano não deveria estar à espera destas revelações de Giorgio Chiellini, que esteve ao seu serviço na Juventus e na seleção italiana: "Com Conte não são só os jogos, é o dia a dia, cada sessão de trabalho. É como um sargento e faz com que se sinta algo especial no balneário, uma atmosfera diferente. No fim de um treino dele os jogadores não estão cansados, estão mortos. Mortos!"

Nós lá fora

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Carriço, André e Nélson

Na quarta-feira, o Sevilha ganhou por 2-0 o jogo da segunda mão das meias-finais da Taça do Rei, e qualificou-se para a final. O Carriço já estava na grande final e com ele iam estar mais dois portugueses, que podiam ser Gonçalo Guedes e Rúben Vezo ou André Gomes e Nélson Semedo. Independentemente do resultado da outra meia-final entre Valencia e Barcelona, que foi na quinta-feira, Portugal ia estar muito bem representado. Foram os culés que ganharam. Desde estas linhas dou muitos parabéns a Daniel Carriço, André Gomes e Nélson Semedo. Que o melhor ganhe a final!

Álbum de recordações

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Campeões da Europa!

Sou um grande amante do futsal. Durante a minha infância, e parte da adolescência, passava os dias a jogar futebol de salão no ringue do parque do Montijo. Como tinha habilidade para aquilo, com 13 anos já jogava nos seniores do Cancela, que na época era a melhor equipa do distrito de Setúbal. E só deixei de praticar este desporto maravilhoso aos 15 anos, quando fui proibido pelos diretores do Sporting. Não podia jogar, mas a minha paixão pelo o futebol de salão, e mais tarde pelo futsal, continuou até hoje. Recordo-me desta história porque ontem Portugal jogou pela segunda vez a final de um Campeonato da Europa e ganhou o título que faltava. Que loucura! Muitos parabéns, campeões!

Por Paulo Futre
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