Paulo Futre
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Os ultras não ganham jogos

Na terça-feira disputou-se em Paris o jogo da segunda mão dos oitavos de final entre PSG e Real Madrid. Os merengues tinham ganho nos primeiros 90 minutos da eliminatória por 3-1 no Santiago Bernabéu. Pelos craques que estavam em campo, e por tudo o que estava em jogo para ambos clubes, já que para a equipa que fosse eliminada seria um fracasso total, o mundo do futebol estava com os olhos postos na capital de França na terça-feira à noite, mas o jogo começou muito antes do apito inicial.

A estrutura do PSG, para aquecer a partida, deu todo o apoio à claque radical Collectif Ultras Paris (CUP), uma claque perfeitamente organizada e que na sua conta de Twitter tem mais de 35.000 seguidores. Valeu quase tudo. "Juntos somos invencíveis", foi o título do vídeo de motivação do clube, onde apareciam imagens de Mbappé, Cavani, Thiago Silva, Dani Alves, Rabiot, Di María e do técnico Unai Emery, juntamente com os ultras parisienses com tochas e com frases como "Será um destes dias que estaremos orgulhosos. Teremos 11 guerreiros. Juntos podemos conseguir. O passado é história. O futuro é nosso. Vai ser o nosso dia. Vamos Paris". Mais do que um vídeo de motivação, parecia um vídeo para intimidar ou assustar os jogadores do Real Madrid.

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Na segunda-feira, véspera do jogo, mais de 100 ultras receberam o autocarro da sua equipa no Hotel Renaissance, onde o PSG fez estágio, com um cartaz ofensivo que dizia ("p... Madrid"), e insultando e ameaçando com cânticos os jogadores merengues. À parte dos gritos, também incendiaram várias tochas. Verratti, Rabiot, Kurzawa, Kimpembe e Aréola, jogadores do PSG, deviam estar adorar todo aquele ambiente, tanto que saíram do autocarro e agradeceram aos ultras todo o maravilhoso apoio.

Dias antes do encontro os líderes da claque tinham ido à cidade desportiva do clube, e o capitão Thiago Silva, assim como Mbappé e outros jogadores, tiveram de se reunir com eles. Foi algo incrível, porque estava uma câmara – que devia de ser dos radicais – a gravar tudo. Pela cara dos jogadores, via-se que mais do que a sentir apoio estavam a ser pressionados como nunca. Durante a madrugada de segunda para terça-feira, os ultras foram ao hotel onde estavam hospedados os jogadores do Real Madrid com tochas, petardos, tambores e todos os cânticos ameaçadores para tentar impedir que os merengues conseguissem dormir e descansar bem, até que a polícia chegou ao hotel para dispersar o grupo por volta de 01h30 da manhã. No dia do jogo, a estrutura do PSG abriu o fundo sul para meter mais ultras, que tinham um cartaz que dizia "Isto é a guerra".

O resultado de toda esta loucura, como todos sabemos, foi a vitória do Real Madrid por 2-1 e os merengues a passar a eliminatória. Na minha opinião, mais do que uma vitória foi um banho de bola que os espanhóis deram ao PSG. Só espero que a estrutura do clube e os ultras tenham aprendido uma lição com os erros que cometeram. Podem intimidar, assustar e insultar com estes atos algumas equipas da sua liga, como por exemplo Troyes, Amiens ou Angers, cujos jogadores não estão habituados a este tipo de ambientes e podem entrar em pânico rapidamente, mas fazerem isto aos jogadores do Real Madrid, que estão habituados a jogar sobre pressão e que já tiveram um milhão de batalhas e em ambientes muito mais aterradores do que o Parque dos Príncipes, foi erro imperdoável. Para futebolistas com caráter, como são os do Real, qualquer insulto, ou assobio fora do seu estádio significa um elogio. Despertá-los de madrugada significa chateá-los, dando-lhes muito mais vontade de darem uma lição e ganharem o jogo, como aconteceu. A estrutura do PSG cometeu erros de um clube amador. Hoje já devem saber que "Os ultras não ganham jogos."

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Caldeirada da semana -- Balneário do PSG a arder

A eliminação do PSG diante o Real Madrid foi uma deceção total para todo o universo do clube parisiense. Quando foi o sorteio, em dezembro, os homens do técnico Unai Emery eram os grandes favoritos a passar aos quartos de final da Champions. Meio Mundo estava impressionado pelo futebol espetacular que o PSG praticava. Era a grande equipa do momento e do futuro, mas com o banho e lição que levaram do Real Madrid tudo mudou. A eliminação foi caótica para o balneário dos franceses e o seu técnico e oito jogadores podem sair do clube. Um dos craques que aparece nesta lista é Edinson Cavani que, segundo o ‘Le Parisien’, quer transferir-se por estar farto dos privilégios de Neymar. Mais que numa caldeirada o balneário do PSG está a arder...

Nós lá fora -- André Gomes

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Durante toda a minha carreira, nas nove equipas que joguei levei algumas assobiadelas em casa, normais quando perdia a bola por querer fintar vários adversários com a equipa a perder o jogo. Eram assobios pontuais e não influenciavam em nada o meu rendimento. Só uma vez, por causa de uma guerra com o presidente do Atlético de Madrid, Jesús Gil Y Gil, fui assobiado por todo o mítico estádio Vicente Calderón de cada vez que tocava na bola. Foi horrível. Isto são palavras maiores. Recordo-me desta história porque o André Gomes voltou a ser assobiado na semana passada pelos os seus adeptos na partida contra o Atlético. Até a mim me doeu. Não consigo entender como os culés podem ter esta atitude com um jogador do seu próprio clube e numa partida importantíssima, onde estava em jogo a liga. Desde estas linhas, desejo-te muita força, André!

Álbum de recordações - 3 das minhas 9 equipas na luta

Depois da eliminação do FC Porto da Champions na terça-feira, quatro das nove equipas em que joguei continuam nas competições europeias. Na quinta-feira, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, só uma delas teve um resultado negativo: foi o AC Milan, que perdeu no mítico San Siro com o Arsenal por 2-0. O Atlético Madrid venceu 3-0 em casa o Lokomotiv de Moscovo e deu um passo de gigante para seguir em frente na competição. O Sporting também conseguiu um grande resultado, com a vitória por 2-0 diante o Viktoria Plzen. Por último, o Marsella fez um grande jogo, vencendo em casa o Bilbao por 3-1. Apesar da batalha que vão ter no novo San Mamés, têm tudo para seguir em frente. Se não houver nenhuma surpresa desagradável, pelo menos três das minhas equipas estarão nos quartos-de-final da Liga Europa.

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Por Paulo Futre
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