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Rui Santos
Rui Santos

Gelson seria o 'joker' de Portugal no Euro

Algumas semanas antes de Fernando Santos dar a conhecer a escolha dos seus 23 convidados para a fase final do Europeu, em França, fui dando eco, no espaço público, das minhas preferências.

Afinal, ‘somos todos seleccionadores’ e , na verdade, já houve um tempo em que um seleccionador-não treinador (Manuel Luz Afonso e, mais tarde, Ruy Seabra) escolhia os jogadores e os técnicos faziam o trabalho de campo (Otto Glória, primeiro, e Juca e António Oliveira, depois). Tempos que dificilmente se repetirão.

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Há, neste momento, um consenso enorme em relação aos jogadores que são os melhores para representar Portugal. O leque de escolha não é muito grande – 40 a 50 seleccionáveis – mas já foi menor. E a convocatória final ficou um pouco mais facilitada, por exemplo com a inclusão de Renato Sanches, a partir do momento em que se percebeu que, por lesão ou por recuperação incompleta, alguns jogadores não poderiam fazer parte da comitiva para a viagem a França: Fábio Coentrão, Tiago, Bernardo Silva e Danny, os casos mais evidentes.

Já sabia que a minha escolha – realizada antes da final da Taça de Portugal – nunca iria ser igual à de Fernando Santos, pela simples razão que ela incluía o ponta-de-lança do FC Porto, André Silva, e calculava que o seleccionador não o ia convocar, com a convicção de que iria chamar, em vez dele, Éder. Confirmou-se.

O ponta-de-lança do Lille realizou os últimos 13 jogos em França como titular, marcando 6 golos, com muito bom rendimento e foi a escolha para preencher um lugar que não tem tido um representante à altura da qualidade evidenciada noutros sectores da equipa, desde a abdicação de Pauleta, talvez o último espécime de uma ‘raça’ (futebolística) que não tem sido fácil fazer multiplicar. Levar um ponta-de-lança (em vez de não levar) percebo, porque o jogo obedece a um conjunto de cambiantes que podem levar à necessidade de utilização de um elemento com maior presença na grande área do adversário.

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Já se percebeu, contudo, pelas escolhas anteriores de Fernando Santos e pela forma como o seleccionador nacional colocou Portugal a jogar, sempre mais perto do 4x4x2, embora com algumas ‘nuances’ no sentido de transformar, dinamicamente, aqui e ali, esse 4x4x2 em 4x3x3, com o ‘2’ da frente a ser ocupado por jogadores sem características de ponta-de-lança; já se percebeu, dizia, que Fernando Santos não vai para o Europeu a pensar numa solução de ‘Éder + 10’, a menos que o seleccionador mude tudo, num ápice, em relação ao que levou meses a preparar e a implementar.

Não sendo, portanto, ‘o’ ponta-de-lança uma unidade de referência da Selecção Nacional, creio que o portista André Silva, pelo que joga, pela forma como acabou a temporada (uma das realidades mais positivas da ‘pré-época’ do FC Porto, sob a orientação de Peseiro) e por aquilo que pode representar no futuro para o futebol português, deveria ter sido chamado em detrimento de Éder. Tirando a idade, que lhe dá maior experiência, o ponta-de-lança do Lille não tem nada, futebolisticamente, que André Silva não tenha, e isso deveria ter sido ponderado na escolha final de Fernando Santos.

De resto, a convocatória espelha a coerência do seleccionador nacional, o que não quer dizer que estejamos perante uma ‘grande Selecção’ ou, se se quiser, perante uma Selecção capaz de superar as equipas mais fortes do Europeu, que são a Alemanha, a Espanha, a França (também pelo factor casa), sem nunca esquecer a Itália, que é capaz de tudo (melhor em Mundiais do que em Europeus). Portugal faz parte de uma segunda linha de candidatos, ao lado de Inglaterra – cuja irregularidade a inibe de entrar no lote de favoritos –, Bélgica e Rússia.

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Esta é uma grande oportunidade para a Selecção portuguesa, se quiser aproveitar alguns factores que, à partida, a favorecem:

1. Integrada num Grupo (F) acessível, com Islândia, Áustria e Hungria;

2. Ausência de Selecções a viver um momento particularmente brilhante;

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3. Conjunto de jogadores conscientes de ‘última oportunidade’;

4. Cristiano Ronaldo integrado e disponível.

Todavia, parece claro que a esta Selecção, tendo alguns bons recursos, falta-lhe ‘qualquer coisa’, para o caso da equipa-base não conseguir resolver as questões que os jogos vão suscitar. Dos jogadores que ficaram de fora há um que me parece que poderia acrescentar algo mais, em termos de imprevisibilidade e aumento de velocidade no jogo: o avançado Gelson.

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Não estava à espera de nenhum ‘coelho’ tirado da cartola por Fernando Santos. Gostava de ver André Almeida e Pizzi na convocatória, mas percebo o critério do seleccionador. Em termos de ‘fazer diferente’, de ‘dar mais qualquer coisa’, era… Gelson. Esperemos que Rafa, Quaresma, Nani e, claro, Cristiano Ronaldo não nos façam lembrar o ‘joker’ que poderia ser Gelson e não suscitem arrependimento no seleccionador nacional.

Jardim das Estrelas: José Mourinho - belo desafio!

Depois das polémicas em que se viu envolvido na segunda passagem pelo Chelsea, com o ‘factor Carneiro’ a condicionar toda a época desportiva, José Mourinho cumpre o sonho (antigo) de ser treinador do Manchester United. O treinador português sabe que Inglaterra é o país que, mesmo considerando as imperfeições, mais respeita o futebol, na sua dimensão (técnica) de jogo e de espectáculo. O negócio está presente (a gestão e os montantes envolvidos nas negociações dos direitos televisivos são apenas um pormaior do que é defender o essencial e desprezar o acessório, exactamente ao contrário daquilo que acontece em Portugal), mas o respeito pelos actores desse espectáculo, que começa no público e nas bancadas, e se estende por jogadores, treinadores e árbitros, é qualquer coisa de singular e extraordinário. Mourinho foi campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha, falta-lhe talvez uma experiência na Alemanha, tem uma visão macro do que é o futebol na Europa, e sabe por isso que Inglaterra é o grande santuário do futebol europeu e o Manchester United é o clube ideal – pela história e pelo passado recente de dificuldades – para poder deixar a sua marca de ‘treinador-transformador’, agora ainda mais completo depois das ‘dores’ que sentiu em Madrid e, mais recentemente, na sua segunda passagem por Stamford Bridge.

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A expectativa regressa a Old Trafford. Um grande treinador como Van Gaal não triunfa. E isso pode ter muito a ver com a política de contratações.

Por Rui Santos
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