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Rui Santos
Rui Santos

O mérito do Benfica não é negociável

O Benfica fecha a época desportiva com a conquista da Taça da Liga, depois de ter vencido o campeonato nacional e alcançado os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Seja qual for o ângulo através da qual se queira olhar para a carreira dos ‘encarnados’ na presente temporada, a conclusão é indiscutível: o Benfica atingiu o seu objectivo principal — sagrar-se tricampeão — e realizou uma época muitíssimo positiva. Melhor? Sim, era possível, se ganhasse a Supertaça e/ou a Taça de Portugal, o que não lhe foi permitido pelo mesmo adversário (Sporting), e ainda se tivesse ido mais longe na ‘Champions’, com a ‘anuência’ do Bayern.

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A proeza do Benfica é de tal modo assinalável que ela acontece na primeira época, após a saída de Jorge Jesus, achado como o principal motor de transformação do futebol benfiquista — na parte técnico-desportiva — nos últimos anos. O peso da intervenção de Jorge Jesus na transformação do futebol do Benfica foi de tal maneira visível que eu próprio considerei a sua saída poder constituir um erro e um factor de quebra no crescimento que o clube da Luz havia protagonizado nas últimas temporadas, quebrando a dinâmica vencedora do FC Porto, o grande perdedor deste campeonato, algo que tem sido impressionantemente desvalorizado.

Por força da ida de Jorge Jesus para o Sporting, os responsáveis do Benfica, entre os quais aqueles que tudo fizeram para desvalorizar o papel do ex-treinador nos êxitos dos ‘encarnados’, mobilizaram-se no sentido de provar que Jorge Jesus não fazia falta nenhuma nem na Luz nem no Seixal. Quando se fala, agora, de união, essa união começou a ser fabricada, pelo ‘staff’ próximo de Luís Filipe Vieira, em redor da imagem do "Jesus, anti-herói". Depois, com a amplificação da ‘estratégia de ataque’ protagonizada pelo técnico do Sporting, no começo da época, muito por força da conquista do primeiro troféu em disputa (Supertaça), pode e deve falar-se do reforço dessa união, uma vez que as ‘bocas’ de JJ tiveram o condão de aproximar os jogadores de Rui Vitória e Rui Vitória dos jogadores.

O primeiro duelo da época começou por ser Benfica-Jesus, continuou a ser Benfica-Jesus durante parte da temporada e só mais tarde, e na parte final, é que se transformou num duelo Benfica-Sporting, com o falhanço do FC Porto — o principal falhanço da época — a ser mitigado e esquecido por força do despique final entre ‘águias’ e ‘leões’, o que muito jeito deu a Pinto da Costa, rodeado de processos, derrotas e contestação.

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Por isso, cedo comecei a dizer que o possível êxito do Benfica tinha muito de participação do Sporting. A estratégia (de comunicação) foi má, porque ela apenas pareceu tácita e não formalmente concertada, e resultou de impulsos e da necessidade de permanente ataque e ‘resposta’.

Durante cerca de quatro meses, o Benfica viveu contraditado, angustiado e acossado, ao ponto de Luís Filipe Vieira, ainda antes do Natal, após o jogo com o Rio Ave, na Luz, ter sentido a necessidade de dar um ‘murro na mesa’, alegadamente por causa de ‘erros de arbitragem’. Era o tempo da adaptação de Rui Vitória e dos jogadores entretanto chegados; era o tempo da digestão de uma pré-época mal planificada e era o tempo de gerir o impacto das derrotas frente ao Sporting (de JJ).

Por isso, a época — sobre estas realidades e condicionantes — não foi nada fácil, contou com o aperto qualitativo do Sporting e, por isso, o desfecho foi ainda mais saboroso. O Benfica conseguiu provar que era possível ‘sobreviver’ sem Jesus e o treinador deve um papel na organização do futebol de um clube, mas não o papel mais importante. O treinador é apenas ’mais uma peça’ dentro da estrutura e não é ‘a’ estrutura e, nesse sentido, Rui Vitória não apenas geriu muito bem a sua imagem, interna e externamente, como foi a extensão (mais visível) do ‘novo projecto’ definido por Luís Filipe Vieira.

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Houve sorte na campanha do Benfica? Houve. Houve erros de arbitragem, fundamentalmente na avaliação de grandes penalidades não assinaladas? Houve. Mas isso não impede de reconhecer os méritos colectivos do Benfica. A começar pela gestão técnico-desportiva de Rui Vitória e pelos momentos em que, escudando-se, Luís Filipe Vieira soube intervir. Esses méritos não são negociáveis.

NOTA - Gaitán foi a figura da Taça da Liga e valorizou, com a sua presença feita de múltiplos talentos, o Benfica e a Liga portuguesa. Jogadores de classe deixam sempre saudades.

JARDIM DAS ESTRELAS

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**** (4 estrelas) - Pedro Proença na vanguarda

É muito bom que seja um ex-árbitro, o nosso melhor ex-árbitro de sempre, agora presidente da Liga, Pedro Proença, que esteja na vanguarda para introduzir a tecnologia na Liga portuguesa já na próxima época. É bom recordar que, na época passada, e sob o entusiasmo do seu antecessor, Luís Duque, curiosamente num jogo que opôs os mesmos dois finalistas, Benfica e Marítimo, já a final da Taça da Liga havia sido realizada com recurso à tecnologia da linha de golo. Ontem, outra vez em Coimbra, as inovações foram maiores e, finalmente, começa a associar-se a introdução das novas tecnologias à verdade desportiva. O tempo que o futebol leva a implementar e operacionalizar estas realidades pode, todavia, à velocidade que as coisas correm nos dias de hoje, transformar as novas tecnologias em velhas tecnologias. O futebol tem de ser mais rápido nas suas actualizações e a percorrer o caminho da modernidade. Na arbitragem, é urgente a implementação do video-árbitro como mais um meio de escrutínio, capaz de reduzir o número de erros grosseiros cometidos pelas equipas de arbitragem. O acesso às imagens pode ajudar muito e também ao processo de não deixar que os poderes se estabeleçam, acomodem, cristalizem e abusem nos seus jogos de influência.

O CACTO - Pinto da Costa perde força

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O presidente do FC Porto disse, com antecedência, que não quereria ver Artur Soares Dias nomeado para a final da Taça de Portugal, mas Vítor Pereira não lhe fez a vontade. Uma das primeiras vezes que o ‘veto’ (a pedido) dos clubes não produziu efeito. Como as coisas estão a mudar, com a perda de força e influência de Pinto da Costa!…

Por Rui Santos
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