Sérgio Krithinas
Sérgio Krithinas Diretor executivo

O problema não és tu...

O país acordou nas últimas semanas para um cenário previsível e quase anunciado: o futebol em dia de eleições. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) desaconselha que haja espetáculos desportivos em dia de ida às urnas e os números das últimas legislativas (2015), as primeiras de sempre em dia de futebol, até podem confirmar a tese: foram as eleições para a Assembleia da República com a maior taxa de abstenção (44,1%).

A história repetiu-se nas presidenciais de 2016, ganhas por Marcelo Rebelo de Sousa, mas aí a abstenção até foi inferior à de 2011, um domingo livre de futebol. É verdade que, dos três grandes, apenas o FC Porto esteve em campo nesse 24 de janeiro, mas os dados talvez permitam explicar que o futebol pouco tem a ver com o afastamento dos eleitores.

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Basta ver o histórico da evolução da participação em eleições em Portugal desde 1975 para perceber que o afastamento dos cidadãos é progressivo, mesmo que só tenham coincidido com jogos de futebol nas duas últimas idas às urnas. É um problema bem mais profundo, que está longe de ser exclusivo do nosso país, e quem tem a ver com a ausência de identificação com os atores do espaço político.

Os cidadãos que quiserem ir votar, votarão. Terão um dia inteiro para o fazer, enquanto o futebol lhes 'roubará' apenas algumas horas. Se querem 'fechar' o futebol, que desliguem as televisões, fechem também as praias ou os centros comerciais, locais onde seguramente haverá mais gente do que nos estádios de futebol. O problema não é o futebol; a política.

Por Sérgio Krithinas
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