FIFA 17: Ser 'scout' no futebol virtual

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Augusto Sanchez ganha a vida a encontrar talentos

Chama-se Augusto Sanchez, tem 26 anos, é boliviano e nos últimos tempos tem visto a vida mudar de forma rápida graças ao FIFA 17.

Depois de muitos anos como um jogador casual do título da EA Sports, El Redondo, como é conhecido na comunidade, percebeu que tinha um talento que lhe podia granjear um papel de destaque no mundo do Gaming e agora agradece o dia em que não ouviu os conselhos da namorada.

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"Estava com ela em casa, num final de tarde solarengo, a jogar um torneio de FIFA. Ela pediu-me mais de 30 vezes para irmos dar um passeio e eu neguei sempre. Até chegou uma altura em que ela ficou um bocado chateada. Não consigo explicar porquê, mas parecia que Deus me estava a obrigar a permanecer ali. E lá fiquei...", revela ao Record Gaming com alguma vergonha na voz.

A verdade é que este católico devoto, nascido em Santa Cruz de la Sierra, a cidade mais populosa da Bolívia, tinha razão sobre a "força" que o estava a puxar para o jogo.

"Passados poucos minutos, um senhor inglês entrou em contacto comigo através dos servidores do FIFA e disse-me que gostava do meu comportamento em campo na equipa onde jogava, os All Stars Bolivia. Pensei que ele me ia convidar para jogar noutro clube, quem sabe da Europa, mas a verdade é que me pediu para ser uma espécie de caçador de talentos da Bolívia", explica orgulhoso.

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Em termos práticos, Augusto ficou com a incumbência de monitorizar torneios, equipas e jogadores com base naquele país, de forma a que todos os que mostrem talento no jogo da EA Sports possam ser analisados mais profundamente pela agência que Augusto agora representa. E é nesta altura que o rapaz habitualmente expansivo começa a ficar misterioso...

"Na verdade não posso revelar muito mais do que isto. O que posso dizer é que neste momento existem muitos olheiros a observar jogos cooperativos, em busca de jogadores com qualidade para assinarem contrato com equipas profissionais que apostam na vertente 11 contra 11. E o mais interessante é que esta empresa em particular tem sede nos Estados Unidos, um país onde o futebol não tem muita expressão. Mas o dinheiro tem e os ‘gringos’ adoram antecipar-se ao resto do Mundo", declara sem medos.

Feitas as contas, são quase cinco horas diárias em que Augusto se "mistura" em partidas de jogadores ditos normais, com o objetivo de tentar identificar talentos que possam sonhar com a possibilidade de se tornar profissionais. E entretanto as fronteiras já se alargaram...

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"Como na Bolívia não existe um número tão elevado de jogadores como em outros locais, também já faço uma perninha noutros países, como Peru, Chile e Paraguai. Se um dia fizer o Brasil acho que vou ter muito trabalho e encontrar muita gente de qualidade. Eles são milhões...", graceja, antevendo que a qualidade que tem como olheiro lhe poderá granjear outros voos.

E como se identifica um bom jogador num jogo de computador? Resposta na ponta de língua...

"Quanto menos ‘truques’ fizer, melhor. Quando vejo aqueles artistas de malabarismo que não passam a bola a ninguém e que só sabem fazer fintinhas, nem olho para a nota geral deles. Até podiam ter 100. Quero jogadores que jogam para a equipa, que abrem linhas de passe e não são egoístas. Normalmente são sempre pessoas mais velhas, já acima dos 23/24 anos. Quando somos mais novos só queremos palhaçada", atira sem delongas.

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Enquanto ajuda no negócio de transportes do pai e cuida da irmã acamada há já vários anos, Augusto Sanchez é agora um rapaz feliz por poder ajudar a família monetariamente utilizando para isso algo de que gosta desde pequeno.

"Para ti que vives na Europa e não sentes a religião como eu pode parecer disparate, mas foi Deus que colocou este jogo e esta oportunidade à minha frente. Agradeço todos os dias pela graça divina que me aconteceu e sei que um dia vou ser o melhor naquilo que agora faço", remata comovido.

Nota positiva para o Maestro Seixas

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Só falta pedir ao especialista a análise ao jogador Johnny Dread, que diariamente controlo nas minhas investidas de Co-Op, sob o nickname Seixas117. Um médio ofensivo com jeito para passes em profundidade.

"Meu amigo, tu jogas como falas, tens energia para 120 minutos e ainda batias os penáltis todos a seguir. Gosto da tua visão de jogo e dos passes a rasgar a defesa. Boa velocidade e poder de choque. Só tenho um ponto negativo a apontar – não sabes fintar e se és desarmado muitas vezes acabas a entrar de carrinho sobre o adversário por vingança. Tens de ser mais calmo. De resto pareces um maestro do meio-campo".

Completamente babado agradeço os exagerados elogios do Augusto...

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Por João Seixas
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