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Foi, de facto, uma manhã diferente no Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso, nas Olaias, em Lisboa. Fernando Mendes, Diamantino Miranda, Jorge Andrade, José Calado, Carlos Xavier e Valdo não quiseram perder a última dança do Bora Mexer e juntaram-se à festa no pavilhão. O importante foi mesmo participar, com os resultados do torneio de futsal a ficarem para segundo plano. Ainda assim, no final, tiveram de ser coroados os vencedores da prova, com as equipas de Diamantino Miranda, no feminino, e Jorge Andrade, no masculino, a saírem por cima no... grito. Isso mesmo, ganhou quem fez mais barulho e aí as claques dos conjuntos de Diamantino e de Andrade não deram hipótese. Dentro de campo, a história até pode ter sido diferente, mas isso é o menos importante.
“Se calhar, muita gente tem aqui um dos dias mais alegres da sua vida, ao conviverem com pessoas que conhecem do futebol, dos jogos. São iniciativas de elogiar. Muitas viram- me jogar, equipado, dentro do campo, ao longe. Hoje estamos a conviver, a conversarmos um pouco, a contar histórias. É um reviver para eles e para nós, de momentos, de jogos. Eles adoram e nós também. Sinto- me muito preenchido por fazer parte destes eventos. Estas iniciativas são lindas. Temos feito isto ao longo dos anos, a participar nos eventos da Gebalis, é uma alegria trazer o desporto a estes bairros, com condições excecionais, com uma visão excecional. Espero que não acabe por aqui. Isto é a alegria das pessoas. É um dia que saem de casa para fazer desporto, que, se calhar, não fazem todos os dias, jogar futebol. Ver esta alegria toda é muito bom”, começou por dizer Diamantino, que não jogou devido aos seus joelhos, antes de deixar uma bicada aos seus rivais.
“A capitanear com sucesso! Ganhámos frente a uma equipa brilhante, feita de senhoras, algumas jogavam bem. Tinham ali uma craque, pelo menos. Uma mais nova que diferenciava- se das outras”, elogiou o antigo internacional português, que teve Valdo como seu adjunto, ele que era para ter feito parte da equipa de arbitragem.
Já Jorge Andrade, antigo central internacional português, que passou por clubes como E. Amadora, FC Porto ou Juventus, explicou a tática da sua equipa para levar o troféu para casa. “Como a equipa adversária era mais forte, nós tivemos de fazer diferente. Aqui ganha quem tiver a melhor claque. Claro que, comigo, temos de ter a melhor claque, fizemos uma animação espetacular e vencemos o jogo no grito. O mais importante foi vir aqui, fazer desporto e mexer”, disse o ex- defesa, atualmente com 48 anos.
Por fim, e apesar de ter conquistado o tão desejado troféu, Jorge Andrade, que foi treinador- jogador ontem, lamentou a sua exibição na partida, na qual jogou numa posição bem diferente da que atuou ao longo da sua carreira de futebolista profissional .
“Bora Mexer mesmo… Joguei um bocadinho à baliza. Dei um franguinho, mas pronto. É mais pelas pessoas, que têm um dia diferente, que obriga as pessoas a mexer. Bem orientados pelos treinadores. Foi uma manhã incrível”, assinalou o antigo internacional português em 51 ocasiões, marcando três golos pela Seleção Nacional. Ainda assim, e apesar do desaire, o fair- play acabou por imperar no pavilhão, com a equipa de Carlos Xavier a festejar com o conjunto de Jorge Andrade em plena quadra do Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso. O troféu de vencedor do torneio masculino de futsal foi entregue por Sérgio Krithinas, diretor executivo do jornal Record, que acabou por se juntar à festa das duas equipas no pavilhão.
Por Nuno Mendes