Maratona do Luxemburgo: para fechar com chave de ouro

E chegou, finalmente, a última maratona. A 8ª no espaço de 97 dias. Uma jornada louca, que começou em Sevilha, com um recorde pessoal a roçar as 3 horas, e que teve um final bem mais lento, no Luxemburgo. Um destino improvável no que a maratonas diz respeito, mas que me deu uma das melhores experiências. Não temos uma super maratona, nem uma organização de topo, mas uma prova que, mesmo assim, vale a pena. Porque os momentos para recordar não estão apenas nas Majors ou nas principais maratonas. E nesta temos logo a experiência diferente de corrermos parte da prova à noite. Quando arranquei não sabia bem ao que ia. Era duas semanas depois de Genebra, mas esses dias foram tudo menos calmos. Por isso, até perto da partida ponderei alinhar na ‘meia’ e deixar o desafio nas 7 maratonas. Mas quando coloquei o dorsal... a motivação voltou. O clima da prova convidava. E, afinal, era só mais uma, a última. Não podia ser de outra forma!

A controlar emoções

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O arranque dá-se junto ao centro de exposições, nos arredores da cidade, e dali seguimos para o centro. O início era a descer, por isso, sabendo que ia ter de voltar ali... o final era a subir. A ideia era ser ponderado, controlar o ritmo sem forçar nem um bocadinho. Foi isso que fiz. E o ambiente até ajudou, porque o apoio popular foi incrível e havia que aproveitá-lo. Fiquei impressionado e tratei de absorver toda a energia, para tentar mascarar quaisquer dores ou cansaço que tivesse. Foram largos quilómetros sempre neste registo. Gente nas ruas, famílias que aproveitaram o tempo ameno e a prova para puxar para fora das suas casas umas mesas e por ali jantar. Isto enquanto nos aplaudiam... Outros ficavam à janela e também faziam a festa. As crianças saíram à rua, ficavam a bater palmas, a aguardar os nossos ‘hi5’s’. E foi assim que, rapidamente, dei por mim a chegar perto dos 30 quilómetros, onde tínhamos uma descida bastante inclinada à zona baixa. Aqui já era de noite e, finalmente, vivíamos a prova no seu esplendor. Agora, sim, era uma maratona noturna!

Mas estamos em Portugal?

Depois de passar os 30 quilómetros, era hora de enfrentar os 12 finais. E aqui senti-me, em plena prova, como se estivesse em Portugal. O Luxemburgo é conhecido pela sua forte comunidade portuguesa, que se nota a cada esquina, onde raras são as vezes em que não encontramos algum compatriota. Nesta maratona, ali pelos 32, começou uma verdadeira passagem por várias tradições nacionais. Uma tuna para começar, uma fadista, folclore madeirense e minhoto... Senti-me mesmo em casa! Podia agradecer em português, que eles iam entender. Superado este momento de forte componente emocional, já só faltariam uns 8 quilómetros para a meta. Volto ao lado mais empresarial da cidade e tenho uma derradeira injeção de energia, com a zona de animação colocada aos 39 quilómetros, pela mão do grupo FatBetty.Run. Incrível, absolutamente incrível! Era o que faltava para os metros que restavam. Mesmo a subir, aumentei o ritmo. Subi, subi, subi... e cheguei à zona da meta. Quando entro na Expo, tiro a bandeira e desfruto do momento. Celebrei, cerrei o punho e, por momento, emocionei-me. Bolas! Oito maratonas em menos de 100 dias. Acho que podia e devia acontecer! Agora... descanso e a próxima é já (ou só...) em setembro.

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Contas e lições para o futuro

Foram 8 maratonas no espaço de 97 dias. Cerca de 337 quilómetros feitos em prova, num total de 28:30 horas, a uma média final de 3:34 horas por cada uma. Oito maratonas, oito histórias diferentes para contar, muitos ensinamentos que levo para a vida. Com esta jornada aprendi que, se lutarmos, mas acima de tudo se ouvirmos o nosso corpo no momento certo, somos capazes de atingir tudo o que nos propomos. Reforcei a crença de que o descanso é algo fundamental para um bom rendimento, tal como a alimentação - não, não podemos comer tudo o que nos apetecer, na dose que nos apetecer. Outro ponto importante é a escolha das sapatilhas: quanto mais longo o desafio, mais amortecimento e estabilidade é necessária. Essencial é também o trabalho de ginásio e aí, confesso, não fui o melhor aluno. Mas tudo serve para aprender e isso é algo a corrigir no futuro. E por falar no que aí vem, as maratonas vão continuar a ser a minha praia, mas repetir uma jornada destas... nunca mais!

O balanço da história

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Maratona de Sevilha: 3:00.55

Maratona de Antalya: 3:41.55

Maratona de Paris: 3:14.50

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Maratona de Ibiza: 3:40.41

Maratona de Viena: 3:31.01

Maratona de Praga: 3:50.51

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Maratona de Genebra: 3:48.24

Maratona do Luxemburgo: 3:45.25

8 maratonas

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342.4 quilómetros

28:33:54 horas

3:34:14 de média por maratona

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5:05/km de ritmo médio

O resto da caminhada pode ser acompanhada aqui.

Por Fábio Lima
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