A febre das placas de carbono está aí para durar e não há marca (pelo menos das mais importantes) que ainda não tenha lançado no mercado um modelo com essa plataforma. A New Balance também não quis fugir à regra e no último ano colocou nas prateleiras das principais lojas não um, mas sim dois modelos. Um voltado para o dia da competição (o FuelCell RC Elite) e outro para treinar e também para fazer algumas provas para quem o entender (o FuelCell TC). Foi este último aquele que experimentámos em Record durante as últimas semanas, num teste dos mais intensivos e longos de que temos memória.
Ao todo, e ao contrário do que normalmente fazemos, levámos estas FuelCell TC até aos 250 quilómetros - normalmente encerramos as nossas análises aos 100 quilómetros -, o que se explica essencialmente pela necessidade de perceber o comportamento deste tipo de modelos a nível de desempenho e desgaste quando os fazemos passar de determinada barreira. Até porque, por serem voltados para performance e não tanto para durabilidade, habitualmente a tendência passa por o desgaste ser mais notório e o retorno a nível de performance ser reduzido quando chegamos perto da barreira dos 200 quilómetros.
E chegados a esse primeiro patamar, o que nos apraz dizer antes de tudo é que estas sapatilhas da marca norte-americana souberam passar o teste, pois continuam a render de forma bastante boa, mesmo já tendo muitos quilómetros - alguns deles em treinos longos, bem para lá da meia maratona. E esse, confessamos, é um dos pontos que queremos desde já esclarecer. Pelo menos no nosso entender, estas FuelCell TC parecem-nos ter como limite algures entre a meia maratona e os 30 quilómetros, pois para lá dessa barreira a falta de amortecimento (o que é natural) poderá torná-las numa solução menos boa e perigosa - ainda que a New Balance os coloque como opção para os 42 quilómetros.
Visual agressivo que promete velocidade
A forma como as FuelCell TC responderam nos nossos treinos agradou-nos, mas o primeiro atributo que nos chamou logo à atenção foi o seu visual. Afinal de contas, ainda antes de as calçarmos... tivemos de as olhar. E aí é impossível ficar indiferente ao visual agressivo, com um símbolo da marca bem rasgado nas laterais. É uma espécie de promessa para o que vem a seguir, quando as colocamos nos pés.
Na zona superior destacamos desde logo a sensação de conforto que temos mal as calçamos pela primeira vez, que se prolonga ao longo dos quilómetros. A isto juntamos ainda a respirabilidade - graças a várias ranhuras na malha superior - e o facto de o pé não ficar excessivamente 'abraçado' no interior. Isto não quer dizer que se mova em demasia. Na prática parece-nos estar ali num ponto de equilíbrio perfeito.
E como neste tipo de modelos rápidos todos os pormenores importam, os cordões utilizam um material que permite prevenir eventuais problemas com a amarração, ao passo que a língua, com uma construção bastante minimalista e fina - até tem perfurações para aumentar a respirabilidade -, está no ponto certo. A fechar a zona superior, nota ainda para o calcanhar, que segue a tendência de outros modelos de outras, com um formato que sujeita o pé e o mantém fixo.
O segredo está no 'meio'
Tal como noutros modelos deste segmento, o grande segredo do sucesso destas FuelCell TC está na meia-sola, onde residem a placa de fibra de carbono e ainda a espuma FuelCell, que é cada vez mais a grande aposta da New Balance quando o assunto é colocar velocidade na estrada.
Já vista noutros modelos - por aqui já a testámos no Impulse, Rebel e Propel v2, sempre com reviews positivas - a espuma de meia-sola tem como propósito dar um pouco mais de amortecimento e retorno de energia à nossa corrida, permitindo potenciar ainda mais aquilo que colocamos no solo a cada passada.
Ora, juntando a isso a placa de fibra de carbono, a combinação só podia ser bem sucedida, dando-nos uma experiência de corrida ainda mais responsiva, com uma sensação de propulsão para a frente superior, o que naturalmente se sente bastante a velocidades mais elevadas. É aí que a resposta das FuelCell TC se faz notar e foi mesmo isso que experienciámos logo na primeira corrida, com um quilómetro final mais rápido. Aí foi só colocar o pé no chão, imprimir um ritmo maior e a velocidade surgiu naturalmente. É óbvio que as sapatilhas não correram por nós - nenhumas correm! -, mas a verdade é que foi evidente o maior retorno de energia em comparação com um modelo normal, como por exemplo o Propel v2, que já de si é bastante reativo.
Sola que promete
É óbvio que apenas chegamos aos 250 quilómetros, mas uma pequena observação à sola permite-nos ter a sensação de que a durabilidade deste modelo será pelo menos similar em comparação com alguns dos seus concorrentes. Muito por culpa do facto de toda a zona inferior estar coberta por borracha, que serve tanto para aumentar a durabilidade como também para dar uma camada de proteção à meia-sola. Há ainda a realçar a superior tração, mesmo em superfície de terra batida ou com alguma água.
A opção mais barata
Esta não é a única aposta da New Balance neste segmento, mas é a mais barata - ou menos cara - e também a mais pesada. Ainda assim, convém referir que não sentimos em demasia o impacto das mais de 260 gramas deste modelo, que conta com um drop de 10mm (30/20). A opção mais cara, o RC Elite, que como o nome indica é o mais 'profissional' de ambos, tem somente 207 gramas, mantém um drop de 10mm (35/25) mas está à venda por um preço ligeiramente mais caro: 230 euros contra 200 euros.
Por Record