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Durante anos, a saga 1080 foi uma espécie de porto seguro para quem queria um modelo de amortecimento máximo da New Balance, que lhes desse garantias de conforto e proteção máximas. Os anos foram passando e, de mão dada com a eficiência da espuma Fresh Foam, as 1080 foram sempre cumprindo esse propósito. Até 2026.
A New Balance decidiu-se por uma transformação total, deixando de lado a espuma Fresh Foam para apostar num novo composto. O Infinion. Para quem não quer tecnicalidades, dizer isto pouco significa. Mas as mudanças sentem-se bastante no momento da corrida.
Além da mudança da espuma e do encurtar do nome (que bem se agradece!), a New Balance consegue também a proeza de cortar imenso no peso deste seu novo lançamento. Tudo à base de uma ‘dieta’ alimentada pelo novo composto de espuma, o tal Infinion, mas também uma sola que nos parece algo mais frágil e, talvez, não tão indicada para um daily trainer como este se quer.
Sensação de corrida
Uma das mudanças mais radicais que se sente nem vem da nova espuma ou do drop, mas antes do rocker que é algo menos pronunciado do que o modelo anterior. Parece insignificante, mas essa diferença transforma completamente a experiência, especialmente quando fazemos treinos algo mais lentos. Aí, por ter um rocker menos pronunciado, a transição é algo mais esforçada.
O cenário muda de figura se aumentamos o ritmo e acabamos por apoiar mais a parte frontal. Aí a espuma, bem mais ‘bouncy’ do que a Fresh Foam, devolve muito mais a energia que colocamos no solo. Nesse particular, as 1080 estão muito mais rápidas!
Mas este não é um modelo que se quer rápido. Quer-se confortável e, acima de tudo, fiável para longas jornadas até, por exemplo, a uma maratona. Se este modelo entrega essa capacidade? No nosso entender, pelo uso que fomos dando, não, pois sentimos que falta um pouco mais daquela sensação de amortecimento máximo que tínhamos nas v14 e que temos, por exemplo, numas MagMax da Puma, numas Kipride Max da Kiprun ou nas Nimbus 28 da Asics.
No fundo, pela forma como as sentimos, as New Balance 1080 v15 desviam-se muito da sua essência, tornando-se num modelo diferente do que estávamos habituados. Não é mau. Não mesmo. Mas, de certa forma, acaba por transformar e/ou desvirtuar a saga…
São, no fundo, um modelo bem mais versátil… mas sem ser brilhante em coisa nenhuma. Cumprem em tudo? Quase tudo! Com nota 8 talvez, mas sim…
O upper
Visualmente, as 1080 v15 deixam aquele aspeto algo volumoso, para terem um visual mais moderno, mais ‘engraçado’. E até com um toque veloz, por conta daqueles detalhes cinzentos. Aí, a New Balance acertou!
Mas e o resto? Apesar de ter mexido na forma de construção deste upper, as 1080 v15 parecem até mais confortáveis quando as calçamos. Tanto nesse primeiro contacto, como quando estamos a correr. A língua, apesar de precisar de um pequeno cuidado extra no momento de atar os cordões e ajustar, encaixa muito bem no pé, ainda que nos pareça que a forma é algo mais estreita do que poderíamos esperar de um modelo desta saga.
Já agora, não o dissemos antes, mas estas novas 1080 v15 estão algo menos estáveis. E isso anda de braço dado com este pormenor que falámos relativamente à forma mais justa. Sem uma plataforma larga, ao ter mais 2mm de espuma, há menos superfície para equilibrar toda aquela explosão de energia.
O composto de sola
Aqui também está uma das transformações que ajudou na tal dieta. As 1080 v15 têm agora um composto mais distribuído na zona da sola, com colocação estratégica de borracha nos pontos habituais de contacto e uma zona média praticamente exposta. Provavelmente vamos notar cedo algum desgaste por ali, mas parece-nos que a parte frontal e traseira irá aguentar muitos e muitos quilómetros.
Quanto à tração, não testámos tanto quanto queríamos em piso molhado, mas o que usámos deixou-nos com uma impressão positiva.
Valem a pena?
As novas 1080 v15 estão diferentes. Não só no nome ou na espuma de meia sola, mas principalmente no peso e também na sensação de corrida.
Olhando ao que vem sendo lançado pela marca norte-americana, quase que dizemos que este novo modelo caminha mais para o lado de umas Rebel, do que propriamente para a linha das 1080. Quer isto dizer alguma coisa sobre o que aí vem? Provavelmente…
As 1080 v15 são agora mais versáteis, num upgrade que poderá agradar muito a uns e passar despercebido a outros. Quem procurava aquele ‘colchão’ fiável para acumular quilómetros em barda, se calhar vai notar uma mudança de foco. Quem quer algo mais versátil, vai gostar disto.
Mas quando tem as Rebel v5 ali à mão de semear com um preço mais acessível…
Por Record