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Quem trabalha no futebol profissional sabe que não tem vida própria. As exigências das responsabilidades desta atividade são múltiplas e variadas. As deslocações constantes, obrigam a ter quase sempre a mala feita. Como jogador, são os jogos, os estágios, a pré-época. Como treinador, idem idem, aspas aspas. Como dirigente com responsabilidades, acentuam-se as obrigações. A família e a vida pessoal vão ficando para trás. Nem os telefonemas, o Skype e as miniférias, atenuam o vazio que muitas vezes, nos aviões e no silêncio dos quartos de hotel, sentimos no peito. E questionam-nos: será que vale a pena?
Trabalho é trabalho! E quando o fazemos com particular prazer e compromisso, o cenário piora. Perdemos a noção do que é prioritário e do que é acessório. Eu que o diga, pois já vou no segundo enfarte! Mas como ainda posso ter mais cinco, estou tranquilo...
Posso, por isso, continuar a viajar por esse Mundo fora. Calcorreando continentes, países, cidades, ruas, caminhos, rios e montanhas e saboreando um sem número de experiências. Como a que vivi em fins de 2002, em Maputo, aquando da criação do Sindicato de Jogadores de Moçambique, no âmbito da minha atividade como vice-presidente da Fifpro.
Numa quente e solarenga tarde africana, nesse colonial e belo Hotel Polana, estava eu, um advogado e três jogadores moçambicanos envolvidos no projeto, à entrada do bar do hotel para irmos beber uma água tónica, e ouço um deles dizer:
– Já viram com quem é parecido aquele inglês? É quase igual!
Todos nos virámos. Vimos um homem de grande envergadura, de cabelo e olhos claros, sardas, acompanhado por três outros homens.
– É impressionante a parecença com o antigo presidente dos Estados Unidos. Poderia ser sósia (replica outro de nós).
– É verdade... mas... mas já viram o outro ao lado, pergunto eu, ficando deveras confuso, já que um dos acompanhantes deste ‘sósia’ era igualzinho ao ator americano Kevin Spacey.
Não entendíamos muito bem o que ali se estava a passar. Não poderia estar a acontecer um encontro internacional de ‘sósias’ de gente famosa.
Mais estarrecidos ficámos, quando vimos vir na nossa direção a comitiva encabeçada pelo alto e louro ‘inglês’ que cumprimentou todos os presentes, com um firme e vigoroso aperto de mão. Com um sorriso nos lábios, dirigiu-se-nos com a voz timbrada:
– Hi! Good afternoon. How are you (Olá! Boa tarde, como estão)?
Embasbacados e quase sem fala, alguns de nós replicámos enquanto ele nos cumprimentava e seguia na direção das escadas:
- It’s a pleasure mr. President, it’s a pleasure... (é um prazer senhor Presidente, é um prazer). Não queríamos acreditar ter sido possível aquele encontro de terceiro grau em pleno Hotel Polana.
Olhámos uns para os outros, boquiabertos, pois tínhamos conhecido e apertado a mão ao homem que, entre 1993 e 2001, foi só o mais poderoso do Mundo, o ex-Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton...
Soubemos, depois, que estava em Maputo para uma conferência e para ajudar aquele país africano na área da saúde, por intermédio da sua Fundação.
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