Visitar Quioto é uma experiência única. Bem menos cosmopolita que a capital Tóquio, é uma cidade cheia de cultura e tradição. Em muitas ruas encontram-se casas de madeira, tipicamente japonesas, com plantas nas varandas e interiores de tatami. Um passeio pelo bairro de Gion, zona antiga e repleta de história, pode permitir-nos cruzar com uma geisha, um dos símbolos do país. Embora bastante recatadas, é possível vê-las noutros locais da cidade, onde as suas vestes impecavelmente cuidadas e os rostos de porcelana não as deixam passar despercebidas. São também elas as protagonistas das cerimónias do chá.
Na capital cultural do Japão, por entre cenários naturais deslumbrantes, e porque os japoneses cultivam a espiritualidade (xintoísmo), surgem por toda a cidade imponentes templos, na maioria budistas. Alguns dos imperdíveis são o Kinkaku-ji (Golden Pavilion), o Fushimi-inari e o Kiyomizu-dera. Por todo o lado se sente um agradável cheiro a incenso e se ouve, sobretudo, silêncio. E se nestes templos de grandes dimensões as sensações são de calma e tranquilidade, imagine-se nos pequenos centros de meditação zen onde se tiram os sapatos, se admiram pedras alinhadas e se ouvem pequenas quedas de água. Um absoluto relax que potencia o desenvolvimento mental e espiritual, uma característica dos japoneses também relacionada com as artes marciais que tiveram origem no país, como o judo, o karaté e o sumo. Estas atividades, hoje consideradas desportivas, para além de técnicas de defesa, têm uma componente de formação moral do indivíduo, ajudando a obter o autocontrolo e a aperfeiçoar o corpo e a mente.
Outra particularidade da cultura japonesa é a forma singular como cuidam dos jardins. A famosa arte de criar bonsais, com resultados fascinantes, pode ser apreciada em qualquer recanto da cidade. A contrastar com as delicadas árvores em miniatura, o Bamboo Grove oferece um percurso por entre caules de bambu de perder de vista. São inúmeros em quantidade e absurdos em altura. Um labirinto de plantas gigantes. A uma curta distância de Quioto há um outro local de culto, onde os animais são reis: chama-se Nara, uma pequena cidade com mais uns quantos templos, conhecida pela enorme coleção de veados que convivem amigavelmente com quem por ali passa.
Onde ficar:
A zona da Estação Central é a mais acessível para dormir, encontrando-se
alojamentos para todos os gostos. Tradicional é ficar num ‘ryokan’, um quarto com portas de correr, chão em tatami com colchões.
O que comer:
Sushi e sashimi são verdadeiros pratos típicos do Japão. Mas também há peixe grelhado, sopa miso, arroz, vegetais. Enfim, uma enorme variedade para
gradar a todos os gostos.
DICAS
» Quioto é conhecida pelo grande número de templos e centros de meditação zen; o xintoísmo, espiritualidade própria do povo japonês, está na sua base.
» A verdadeira cerimónia do chá tem todo um ritual, que pode ser encontrado pela cidade, com gueishas e tudo. É uma experiência que permite aprender muito sobre a cultura e a tradição.
» Para os turistas, é muito aconselhável o JRPass, um passe acessível e válido para (quase) todos os comboios do Japão. Permite minorar as longas distâncias entre as cidades.
» Colecionar carimbos é uma mania bem japonesa. Existem em todos os museus, estações de comboio e metro e quase todas as entidades públicas. Basta levar um bloco em branco e alinhar.