A 'estratégia' do Sporting para levar Saleiro à Seleção: «A partir de agora quem bate os penáltis és tu»

Sagrou-se campeão europeu de sub-17, mas não alcançou o topo por 'culpa' de... Liedson

• Foto: Rui Minderico

O promissor trajecto na formação do Sporting guiou-o rapidamente a voos maiores. Após se sagrar campeão europeu de sub-17 por Portugal, Saleiro passou por todos os escalões seguintes. Em 2010, quase completou o círculo, quando esteve às portas da Seleção Nacional, e até contou com a 'ajuda' dos leões. No entanto, a escolha de Queiroz recaiu sobre o companheiro Liedson

RECORD - Em 2003, o primeiro grande 'highlight' da carreira, com a conquista do Europeu de sub-17 por Portugal.

SALEIRO - Não éramos favoritos. Apurámo-nos pelo facto de o torneio ser organizado em Portugal, em Viseu. Tínhamos uma boa geração de sub-17. Fomos jogo a jogo, até que nos apercebemos que se calhar era possível. Defrontámos a Espanha na final. Meses antes, fizemos um amigável com eles e levámos um banho de bola. Valeu-nos o nosso espírito de equipa. Sendo um misto de jogadores do Norte e do Sul, havia muita rivalidade, mas fizemos um bom grupo. Depois, o mister António Violante era um treinador com discurso calmo, tinha a ajuda do Edgar Borges e do Carlos Dinis. Dois dos jogadores desse grupo acabaram por ser campeões europeus por Portugal, o Moutinho e o Vieirinha.

R - Meses depois, a mesma Espanha vinga-se no Mundial e elimina Portugal nos quartos-de-final. Um amargo de boca...

S - Esse Europeu, em maio, deu-nos acesso ao Mundial, em agosto. Já íamos com outra moral. Houve mudanças na convocatória, mas o espirito de equipa manteve-se, não foi por aí. As coisas não correram bem… Fizemos um jogo na fase de grupos contra o Brasil, onde na altura jogava o Evandro Roncatto, que era uma estrela e hoje é meu amigo, ou o Ronny, que até foi do Sporting. Levámos 5-0! Acabaram por ser campeões do Mundo, era praticamente impossível vencê-los naquela altura, já pareciam jogadores feitos.

R - E que histórias ficaram na memória desses estágios?

S - O Paulo Machado era o porta-voz da palhaçada, só fazia porcaria [risos] No Mundial, na Finlândia, treinávamos de manhã, descansávamos à tarde e a seguir ao jantar diziam-nos que podíamos ficar à vontade e sair, mas sempre com atenção: "Não façam porcarias!". No nosso hotel ficavam as 4 equipas do grupo: nós, Camarões, Brasil e Yemen. Eu nem nunca tinha ouvido falar do Yemen [risos] Certo é que… nunca os vimos, só no campo, quando jogaram contra nós. Lembro-me que marcavam e beijavam a relva. Mas no hotel, nunca. Achávamos aquilo estranho… Quando acabou a fase de grupos, um responsável deixou-os sair. Vimo-los a correr para o lago, quase como se estivessem na tropa. Havia lá uma rede de vólei e pedras à volta. A brincadeira deles era mandarem pedras uns outros, mas não tipo calçada portuguesa, eram pedregulhos. Pensámos: "Estes gajos são uns ‘animais’!" [risos]

R - E a Seleção Nacional, foi hipótese em algum momento da tua carreira?

S - Diziam-me que achavam que eu podia ser convocado para o Mundial de 2010. No Sporting havia uma campanha, porque as coisas estavam-me a correr bem, apesar de não fazer muitos golos. Eu tinha sempre uma réstia de esperança, mas ao mesmo tempo sabia que era difícil, porque não tinha estado em nenhuma convocatória anterior e o Liedson já lá estava desde os jogos do apuramento. Num jogo com o At. Madrid, o Costinha e Carvalhal disseram-me: ‘A partir de agora, quem bate os penáltis és tu’. Queriam-me valorizar, especialmente tendo em conta que me deram prioridade nesse aspeto sobre o Liedson, o Veloso ou o Moutinho. Era um privilégio e uma responsabilidade.

R - Um jogo onde nem tudo correu bem.

S - Infelizmente sofri uma rotura muscular. Ainda hoje digo que fui eu quem fez do De Gea o guarda-redes que ele é hoje [risos] Defendeu tudo. Ficou 2-2, mas ele fez uma defesa estrondosa a um remate meu, que nos daria a vitória. Se eu faço esse golo, podia-me ter dado outra projeção… Meti-o na ribalta e ele a mim deixou-me onde estou [risos] Na altura guardava sempre recortes dos jornais, acho que o Record deu-me nota 4.

Por Ricardo Granada
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