Fábio Faria: «Entrei no escritório de Vieira escondido na parte de trás do carro»

Central e o sonho de jogar no Benfica

• Foto: José Reis/Movephoto

O então jovem Fábio Faria não demorou a estrear-se na equipa principal do Rio Ave. Então representado por Jorge Mendes, fez o primeiro jogo no final da época 2007/08, mas reconhece que dificilmente poderia ter vingado de imediato pois o clube de Vila do Conde estava numa situação financeira complicada, a disputar a 2ª Liga, em que precisava de vender jogadores a qualquer custo.

"Para o campeonato o meu primeiro jogo foi com o Feirense, e perdemos por 0-1 num jogo em que correu tudo mal. Fiz os 90 minutos numa partida em que o nosso avançado, o Henrique, partiu a tíbia e o perónio. Comecei a fazer alguns jogos na equipa principal pois o Rio Ave precisava de vender jogadores e o Jorge Mendes defendia que eu podia ser essa venda desde que jogasse na equipa principal. Acabou por não acontecer, e na época seguinte quase nunca foi utilizado", recorda o atual técnico que nessa fase esteve quase a deixar a Gestifute: "Passou um ano e ninguém me ligava numa fase em que estava desanimado por não jogar. O contrato com o Jorge Mendes chegou ao fim e, entretanto, reuni-me com o empresário Artur Fernandes que manteve uma conversa cordial comigo e me apresentou logo duas ou três propostas. Disse que se quisesse assinávamos ali, e até ligou para o Rio Ave a dizer que agora era ele que tratava dos meus assuntos. Fiquei de pensar e dar uma resposta em relação à assinatura do contrato, mas aquele telefonema ao Rio Ave rapidamente chegou aos ouvidos do Jorge Mendes".

O agente não facilitou. No dia seguinte quando voltou do treino, Fábio Faria tinha várias chamadas de um número espanhol que não conhecia. "Era o Jorge Mendes. Perguntou-me se tinha assinado com o Artur Fernandes e quando lhe garanti que não disse-me logo para não o fazer e convidou-me para jantar na sua casa na Foz, no dia seguinte. Assim aconteceu, fui com o meu pai jantar à casa do Jorge Mendes no Porto", revela Fábio Faria que não resistiu à operação de charme: "Pediu-me desculpa dizendo-me que estava concentrado nos jogadores de top, mas que tinha colaboradores com essas funções, e que estava envergonhado. Pelo meio do jantar ligou ao então diretor-desportivo do Chelsea, o Peter Kenyon, e apesar de não entender muito bem inglês percebi que no final da conversa lhe disse 'vão arrepender-se'. Entre essas e outras conversas mostrou-me o novo contrato e convenceu-me a assinar. Aquela conversa de vendedor do Jorge Mendes e aqueles telefonemas para o Mourinho pelo meio...é claro que assinei".

Entretanto, na sua terceira época no Rio Ave, aos 20 anos, Fábio Faria começou a ser titular e uma vez mais, no final de um treino, tinha 10 chamadas não atendidas de Jorge Mendes. "Estava num almoço com a equipa e ele perguntou-me de podia ir ter com ele a Lisboa pois estava a voltar de Madrid. Disse-lhe que tinha jogo no dia seguinte com o Rio Ave, e ele perguntou-me se podia ir a Lisboa outra vez. Lá disse que sim e deu-me a morada de um escritório na Expo, mas não me disse de quem era. Ainda me perguntou qual era o meu carro e quando disse que era um Opel Astra comercial pediu-me para entrar escondido...e foi assim que entrei no escritório de Luís Filipe Vieira, escondido na parte de trás do carro", lembra o ex-internacional sub-21 português que ainda nem sabia com quem ia reunir: "Quando lá cheguei e vi o presidente do Benfica nem sei o que senti...Ia cumprir o meu sonho pois sempre fui do Benfica. O contrato que me ofereceram até era baixo, o meu pai tentou negociar mais um pouco, mas eu só queria ser jogador do Benfica. O Vieira e o Jorge Mendes só me diziam para não me preocupar pois quando começasse a jogar iam rever aqueles números. De nada valeram as tentativas do meu pai, era um contrato baixo para ser jogador do Benfica, mas um bom contrato para um jovem oriundo do Rio Ave".

Por João Soares Ribeiro
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