Saleiro: «Ainda hoje tenho uma falha num dente que eu digo que é culpa do Polga»

Cedido ao Fátima, marcou contra os leões nas 'meias' da Taça da Liga e sentiu a desfeita... na pele

• Foto: Carlos Patrão/Arquivo

Saleiro fixou-se na equipa principal do Sporting em 2009/10 e antes viveu quatro empréstimos, uns mais bem sucedidos do que outros, mas todos eles importantes para o que viria a seguir

RECORD - Antes da consolidação na equipa principal do Sporting, altura para alguns empréstimos. O primeiro ao Olivais e Moscavide, entre 2005 e 2007, onde coincides com o Fábio Paim. O talento dele era assim tão diferente dos outros?

SALEIRO - Ele tinha essa fama, uma qualidade muito grande. Era um extremo que ia para cima. Apesar das qualidades, percebia-se que em psicologicamente não era um jogador preparado. Devia ter trabalhado e ouvido as pessoas que lhe queriam bem… Dávamo-nos muito bem, tanto que ele também se refugiava muito em mim. Infelizmente, as coisas não lhe funcionaram na carreira e na vida. Se ele fosse mais forte, não digo que dava um jogador de elite, mas certamente um bom jogador, de 1ª Liga.

R - Na época seguinte, o Fátima, de Rui Vitória. Como foi a experiência? Foi aí que tiveram início as célebres rituais do técnico, como o de dar duas voltas a uma rotunda para inverter um resultado negativo.

S - Essa história até surgiu em Fátima [risos] Eu ficava instalado numa casa lá, mas alguns jogadores de Lisboa preferiam ir e vir numa carreira com o mister Rui Vitória e o Arnaldo Teixeira. Contavam-me essas ‘paranóias’. Mas dentro de campo e no discurso dele não as sentíamos. Era um treinador com processos de treino relativamente simples, o que ajudava os jogadores, porque entrávamos mais liberto em campo. Sentíamo-nos soltos. Mas voltando a essas manias, o Nené, em dias de jogo, fazia sempre uma rotunda que havia em Fátima, mas… ao contrário [risos]

R - Na 2ª Liga não correu bem, mas nas taças a história até foi outra.

S - Acabámos por descer porque existiram muitas leões e o plantel não era extenso, ainda assim fomos às meias-finais da Taça da Liga, que se estreou nesse ano, tanto que eliminámos o FC Porto. Acabámos por ser eliminados pelo Sporting, com um golo do Liedson, ficou 3-2. Eu marquei um dos golos do Fátima e não festejei. Quando estávamos a ganhar 2-1, o Polga deu-me uma cotovelada como nunca levei na vida. Durante o jogo senti o nariz a inchar, com um bocadinho de sangue, mas continuei. Conclusão: partiu-me um dente e a cana do nariz. Ainda hoje tenho uma falha num dente que eu digo que é culpa do Polga [risos] Na altura não tinha confiança com ele, mas quando voltei ao Sporting demo-nos muito bem. Falei-lhe disso mas ele já nem se lembrava. Talvez porque ele o Tonel davam 5 dessas por jogo aos avançados contrários [risos]

R - Na época seguinte o V. Setúbal, experiência que só durou metade do ano.

S - Em parte porque levei um processo disciplinar, por uma coisa inocente que disse à comunicação social. As pessoas não perceberam e talvez os responsáveis não geriram a situação da melhor forma… Deveu-se também à minha inexperiência. Houve um jogo em que eu estava para entrar e depois acabei por ficar no banco. No dia a seguir um jornalista ligou-me, a perguntar se eu tinha ficado chateado, e eu disse: ‘Estou aqui para ajudar o Vitória, mas se era para estar parado tinha ficado no meu clube’. Foi inocente, quem me conhece sabe. Depois, a cada jogo era assobiado sempre que tocava na bola e tive de sair em janeiro.

R - E por fim a Académica, em 2008/09, que acabaria por terminar no 7º lugar da Liga.

S - Foi um dos melhores anos da minha vida, devido à convivência com os colegas. Tínhamos um grupo muito forte. Naquela altura nunca tinha bebido vinho, só tinha provado cerveja. Logo desde início comecei a ir almoçar com alguns companheiros, uns 7 ou 8, a um restaurante. Eu pedia a minha Coca-Cola e eles iam para o vinho. Mas passadas 2 ou 3 semanas também já bebia o meu copo e comecei a soltar-me. Depois, à tarde, íamos para uma esplanada e à noite os que estavam lá sozinhos refugiavam-se. Certo é que nesse ano a Académica fez a melhor classificação na Primeira Liga. Jogar na Académica é especial por toda essa envolvência. Lembro-me do Nuno Piloto, que integrava cada elemento e fazia-lo sentir como se estivesse lá há já 10 anos; ou o Hélder Cabral, que chegou no mesmo dia que eu e com quem já me tinha cruzado na formação do Sporting. Dizia-me: ‘Ó dentuças, antigamente andavas com ranho no nariz e agora estás cheio de mania!’

R - Nesse plantel estava também o Éder, o herói de Portugal na final do Europeu de 2016. Ainda manténs contacto com ele?

S - Vi a final do Europeu já em Inglaterra. Não é a mesma coisa festejar em Portugal, que foi uma loucura, ou num hotel inglês. Não lhe mandei mensagem no dia, mas mandei mais tarde. Na Académica, ele era suplente, mas criámos boa relação. Ainda hoje lhe chamo o ‘leitinhos’, porque ele e o Licá eram dos poucos que não bebiam álcool [risos]

Por Ricardo Granada
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