Saleiro: «Domingos Paciência devia ter tido uma conversa comigo e nunca a teve»

Instabilidade em 2011/12 afetou o clube e a própria ligação do avançado ao Sporting

Na equipa principal verde e branca, Saleiro viveu os melhores momentos com Paulo Bento e Carlos Carvalhal. A partir de 2010, a turbulência em Alvalade aumentou e a própria carreira do antigo avançado no clube do coração sofreu com isso, tanto que no verão de 2011 acabou por rescindir

RECORD - À partida para 2009/10, e depois de um ano a bom nível na Académica, por fim... o Sporting. Quem é que te transmitiu que irias ficar no plantel principal?

SALEIRO - A comunicação de que iria ficar no plantel foi-me feita pelo Pedro Barbosa. Disse que tinha de ir à Academia falar com ele e o Paulo Bento. Tivemos uma conversa frontal. Disseram-me que tinha feito uns excelentes 6 meses na Académica e que por isso havia a perspectiva de ficar no plantel. Por tudo o que tinha feito na Académica, senti que aquele seria o meu ano. E se não fosse se calhar teria terminado a minha ligação ao Sporting nessa altura. Esse plantel tinha muitos jogadores da minha geração, era um misto de portugueses e brasileiros. O Moutinho era o capitão e o Liedson veio a tornar-se um companheiro, o meu colega de quarto. Criámos uma excelente amizade, que ainda hoje mantemos. Ele tinha um feitio difícil, mas para mim foi sempre espetacular. Via-me como um miúdo e queria que eu seguisse o exemplo dele. Nos jogos era um jogador muito exigente, mas nos treinos já mais relaxado.

R - Entretanto sai o Paulo Bento e entra o Carlos Carvalhal, mas durante poucos meses. Dado o que ele já conseguiu alcançar hoje, até na Premier League, devia ter ficado mais tempo no Sporting?

S - Tinha capacidade para ficar mais tempo e iniciar a época seguinte. Infelizmente existiram vários problemas internos, o que não o ajudou. Ainda assim conseguiu unir o balneário, recordo-me que tivemos 9 ou 10 vitórias seguidas, eliminámos o Everton da Liga Europa e não perdemos com o At. Madrid. Fez um bom trabalho, em conjunto com o Sá Pinto, que nos dava uma energia enorme, nunca antes vista. Depois o Sá teve uma guerra com o Liedson e caímos um pouco, foi quase como andar à deriva até chegar à outra margem. Mas se o Carvalhal assumisse, hoje, um dos três grandes, garanto-te que estaria muito mais bem preparado e protegido em todos os sentidos.

R - Ainda assim, 5 golos e 30 jogos na época de estreia é um registo assinalável.

S - Na primeira metade da época entrava só de vez em quando. Até que a meia de dezembro, no último jogo da fase de grupos da Liga Europa, contra o Hertha Berlim, quando já tínhamos a qualificação garantida, o Carvalhal mete-me a titular. Senti que era a minha oportunidade. Fiz um bom jogo, até a direção me deu os parabéns. No jogo a seguir, antes do Natal, com a Naval, durante a semana soube que ia ser de novo titular graças ao Liedson. Ele tinha tido uma conversa com o Carvalhal e, no quarto, avisou-me: ‘Prepara-te que vais jogar’. E eu fiquei sem perceber, porque ele tinha ficado a descansar contra o Hertha e era mais lógico que o titular fosse ele. Até que ele me diz: ‘Vais jogar ao meu lado’. Ganhámos 1-0 à Naval, com um golo meu. A partir daí as coisas mudaram.

R - E o número de interessados também?

S - No início de dezembro ligou-me o Domingos Paciência, que na altura treinava o Sp. Braga. Estavam muito bem, em 2º lugar. Como ele tinha sido meu treinador na Académica, queria-me lá. Eu disse que queria jogar e que, por isso, estava disponível. Só que entretanto as coisas começaram a correr-me bem no Sporting e, depois do Natal, o Carvalhal disse-me que eu tinha clubes interessados mas não me iam deixar sair. Estava eu e o Adrien nessa situação.

R - Na época seguinte, em 2010/11, o número de jogos aumentou (39), mas a maioria como suplente. À entrada para 2011/12, o adeus ao Sporting. A instabilidade que o clube vivia na altura acelerou a rescisão?

S - Em 2011 deu-se uma transição directiva no Sporting, com a eleição do Godinho Lopes e a entrada do Carlos Freitas como diretor desportivo. Anunciaram o Domingos Paciência como treinador, que estava muito bem cotado. Na época anterior tinha-me desmotivado, porque com o Paulo Sérgio entrava tarde nos jogos… Pensei que com o Domingos ia renascer. Mas as coisas não correram bem, fiquei até com uma certa mágoa. O Domingos devia ter tido uma conversa comigo e nunca a teve. O Sporting queria-me emprestar e eu não achei correto. Se fosse o Domingos a dizer-me que havia uma mudança, mas que contava comigo, eu aceitava. Mas nunca tive esse telefonema, que acho que devia ter tido. Acabei por rescindir com o Sporting e disse que não queria ficar em Portugal. O Sp. Braga continuava interessado, mas tinham de rescindir primeiro com o Meyong e só depois podiam avançar.

Por Ricardo Granada
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