Saleiro: «Paulo Bento chorou à nossa frente quando saiu do Sporting»

Ex-avançado rotula o treinador como uma "referência" e acredita que merece um "projeto de clube"

O percurso de Saleiro até à equipa principal teve o dedo de Paulo Bento. A relação entre ambos começou numa viagem de autocarro, numa conversa de jogador para jogador e, pouco depois, consolidou-se, já como treinador-jogador. Hoje, rotula Bento como uma "referência" e sublinha que o atual selecionador da Coreia do Sul "merece um projeto de clube"

RECORD - Como foram os primeiros passos na equipa principal do Sporting?

SALEIRO - Quando estava na equipa B [2002/03] fui fazendo alguns amigáveis pela equipa principal. É esquisito e estranho estar ao pé dos ídolos, que só via na televisão. Tinha 16 ou 17 anos e comecei a pensar ‘Epá, isto pode ser que dê’. Foi fantástico. O primeiro jogo que fiz foi em Portimão, num torneio. Quando cheguei ao autocarro nem sabia onde me sentar. Entretanto passa o Paulo Bento, que anos mais tarde seria meu treinador, e pergunta-me a idade. Digo ‘17’, mas como tinha barba cerrada ele estranhou. ‘Se quiser posso mostrar-lhe o BI’, disse-lhe. Se os tratava por você ou tu? Nem um nem outro, tentava era não falar! [risos].

R - Pode parecer um pormenor, mas ficou-te marcado.

S - São momentos que ficam. É curioso porque há dias estava a ver um jogo, o Sporting-At. adrid [18 de maio de 2010, 2ª mão dos oitavos-de-final da Liga Europa]. O jogo ficou 2-2, o Aguero bisou e o Liedson e o Polga marcaram por nós. Avisaram-me por mensagem que o jogo estava a ser transmitido e mudei precisamente quando o Miguel Veloso faz-me um passe, eu vou à linha, tiro um do caminho e cruzo para o Liedson, que marca. As lágrimas vieram-me aos olhos.

R - Voltando atrás, em 2004/05, o Paulo Bento terminou a carreira e viveu a primeira experiência como treinador na equipa de juniores, onde ajudaste na conquista do título nacional.

S - Sabíamos que ele ia ser treinador quando deu uma conferência de imprensa, a dizer que ia terminar a carreira e que ia assumir os juniores. Lembro-me que ele falou do pai e até chorou. Foi um dos melhores treinadores que apanhei na carreira. Um homem com um perfil humano espectacular. Era rígido, mas percebia cada cabeça, talvez por ter sido jogador e capitão do Sporting. As pessoas são injustas quando falam  do Paulo Bento. Esteve várias épocas no Sporting. Não foi campeão, porque uma época foi o que foi, mas apurou-se quase sempre para a Champions. Agora está como selecionador, mas é um treinador que merecia um projeto de clube. Será sempre uma das minhas referências.

R - Como viveste a saída dele do Sporting, em 2009?

S - Ele chorou á nossa frente. Isto não é normal. Alguém que chora por sair é sinal que gostava do clube, das pessoas. Foi um ano de muita pressão, onde as coisas não nos correram bem.

Por Ricardo Granada
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