1987: o ano admirável

31.º ANIVERSÁRIO NA PRESIDÊNCIA DO LÍDER DOS DRAGÕES

1987: o ano admirável
1987: o ano admirável • Foto: MANUEL ARAÚJO

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O ano de 1987 é um ano absolutamente admirável para a história do FC Porto e o primeiro anel de diamante nos dedos do presidente Pinto da Costa, que teria em 2004 outro ano, digamos, dourado. Em 87, o FC Porto conquistou a Taça dos Campeões Europeus, a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental (só faltou o campeonato). Em 2004 – ano que detalharemos amanhã –, foi campeão nacional, europeu e conquistou a 2.ª “Intercontinental” da sua história.

Vamos recorrer de novo à revista “Dragões”, cujo primeiro número de 1987 tem como ponto forte uma entrevista com Pinto da Costa na qual o presidente portista diz que no clube que dirige “não há impossíveis”. O líder levava apenas cinco anos no posto de comando. Pinto da Costa recordou os 12 objetivos enunciados na campanha eleitoral de 1982 e considerou-os todos cumpridos.

Para além do rebaixamento do estádio, o líder mostrou-se satisfeito por ter conseguido manter o clube equidistante da área político-partidária (o calcanhar de Aquiles do anterior presidente, Américo de Sá, deputado do CDS), pelo regresso de José Maria Pedroto (entretanto falecido após doença prolongada) e de Fernando Gomes, por ver de novo estádios cheios com bandeiras azuis e brancas, pela permanência de Jorge Araújo à frente do basquetebol, por uma vitória internacional no hóquei em patins, pela revisão do acordo publicitário com a União de Bancos Portuguesa, por ter conseguido publicidade para as camisolas (Revigrés), pela abertura do bingo (que iria fechar e depois reabrir já no Estádio do Dragão para entretanto encerrar), pela parceria com uma agência de viagens (nessa altura a “Abreu”, com as “Cosmos” só a entrar em cena mais tarde) e pela negociação de dívidas com a Previdência (o que não impediria a penhora da retrete do balneário do árbitro do Estádio das Antas, mais tarde).

“Vamos tentar ir o mais longe possível na Taça dos Campeões Europeus”, referiu já numa fase em que a equipa estava bem lançada, destacando a aquisição do ponta-de-lança brasileiro Casagrande, que viria a jogar pouco. “O que posso garantir é que com a equipa que temos hoje e com a mentalidade do atual técnico (Artur Jorge), se formos à final da Taça dos Campeões Europeus não estaremos lá muito satisfeitos por lá estar mas sim empenhados em ganhá-la”, destacou nessa entrevista conduzida pelo jornalista Artur Miranda.

Neste primeiro número de 1987, a “Dragões” destaca ainda o jantar solene dos 80 anos do clube que celebraria o seu centenário seis anos depois (não, não nos enganamos). Mário Soares, então presidente da República, esteve presente e recebeu um dragão. O atleta do ano foi Paulo Futre e o futebolista do ano André.

Foi em Maio, em Viena, que o FC Porto conquistou a sua primeira Taça dos Campeões Europeus mas o facto só seria ilustrado no número de junho da “Dragões”, que teve como manchete “A Europa é azul e branca”. Na altura a revista tinha como diretor Luís Gonçalves, hoje responsável pela prospeção do Shakthar Donetsk e a redação era composta por Artur Miranda e António Arnaldo Mesquita.

Lá dentro, este número histórico da “Dragões” reporta não apenas os momentos do jogo com o Bayern de Munique mas também aqueles que o antecederam e lhe sucederam. Dá-se nota das felicitações recebidas, entre os quais destacamos a embaixada a União Soviética e a tripulação do bacalhoeiro “Senhor dos Mareantes”.

Nos números seguintes da “Dragões”, as repercussões do título europeu continuam a sentir-se, com destaque para a homenagem aos campeões europeus que decorreu no Casino da Póvoa de Varzim, onde o então ministro da Educação, João de Deus Pinheiro, entregou aos jogadores azuis e brancos a medalha de mérito desportivo. Nesse jantar, Fernando Martins, antigo presidente do Benfica, fez explodir aplausos na plateia quando disse: “Não deixem fugir o vosso presidente!”. Pinto da Costa não estava no programa dos discursos mas acabou por falar, para criticar aqueles que não se associaram à grande vitória portista. “Mas também não desejamos abraços de Judas”, acrescentou, com a ironia do costume. “Limitei-me a reunir os melhores técnicos, os melhores jogadores e os melhores dirigentes e dar-lhes força, deixando-os atuar à dragão”, disse ainda o presidente. Neste número está também em destaque a cerimónia de entrega pelo Governo presidido por Cavaco Silva do Grande Colar ao Mérito Desportivo. Fernando Cabral, então presidente da câmara municipal do Porto, também entrou em campo e entregou a Medalha de Mérito a Fernando Gomes, Pinto da Costa e Artur Jorge.

Um ano em cheio. Para aqui também recordar como um dos marcos do percurso de Pinto da Costa no comando dos dragões, ele que, em outubro de 2010, iria acompanhar sentado ao lado de Madjer a recriação da final de Viena pelo ator suíço Massimo Furlan.

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