A cabeça de Luisão

quando OS ENCARNADOS contra os leões

A cabeça de Luisão
A cabeça de Luisão • Foto: PAULO CÉSAR

O dérbi de 14 de maio de 2005 valia um título nacional. Benfica e Sporting defrontavam-se na penúltima jornada da época, em igualdade na tabela (61 pontos) e numa situação que sorria aos leões – depois de terem batido as águias por 2-1 na primeira volta, o empate era suficiente para saírem da Luz à frente do campeonato, logo a uma vitória do título, a confirmar na última ronda, frente ao Nacional, em Alvalade.

Antes do confronto com o velho rival, José Peseiro tinha pela frente a possibilidade de ser campeão nacional e vencer a Taça UEFA, cuja final disputaria, quatro dias depois, em Alvalade, frente ao CSKA Moscovo. Perdeu os dois jogos e, por consequência, as duas competições. A sua vida em Alvalade nunca mais teve serenidade.

O dérbi não foi um grande jogo mas confirmou a emoção que se antevia para uma noite de grandes decisões. O Sporting foi pragmático na abordagem ao momento e, revelada alguma superioridade territorial, optou por introduzir sinais de inconformismo na reta final do jogo. Dir-se-á que pretendeu vencer o jogo (a vitória deixá-lo-ia a uma vitória do título, num jogo em casa com o Nacional); só não contou com a reação final dos encarnados.

Entra o feiticeiro

Com poucas soluções para dar a volta ao texto, restou a Giovanni Trapattoni, aos 79 minutos, recorrer a Mantorras. Mais do que aposta tática assente em critério técnico ou mesmo científico, a velha raposa repetiu o apelo ao feiticeiro que tantas vezes desvendara o segredo de partidas que pareciam irreversivelmente bloqueadas. E foi já com Mantorras em campo que as águias marcaram o golo do título, um golo que lançou discussão que ainda hoje perdura entre os adeptos leoninos.

Golo discutido. O lance teve início num livre apontado por Petit sobre a meia esquerda do ataque benfiquista; a bola sobrevoou a área na direção de Ricardo mas Luisão interpôs-se e cabeceou para a baliza. A Luz explodiu na festa enquanto os leões reclamaram, automaticamente, irregularidade do lance. O guarda-redes leonino abordou Paulo Paraty fazendo-lhe sinal de que o golo tinha sido marcado com a mão (o que não aconteceu de todo) mas os protestos subsequentes ficaram relacionados com uma falta que o central brasileiro terá eventualmente cometido no salto – mas, mesmo assim, as imagens não confirmam qualquer infração.

Festa no Bessa

Com essa vitória sobre o Sporting, o Benfica partiu para a última jornada com três pontos de vantagem sobre os dois rivais – o FC Porto de José Couceiro aproveitou as oscilações da concorrência e aproximou-se do primeiro lugar. A festa do título foi feita no Bessa, na sequência do empate (1-1) frente aos boavisteiros. Mas os benfiquistas não precisavam sequer de empatar, porque o FC Porto empatou em casa com a Académica (1-1) e o Sporting foi derrotado pelo Nacional (2-4).

1959/60 - Extremo decisivo

Benfica, 3 – Sporting, 3

O dérbi jogou-se a 10 de abril de 1960 (24.ª jornada) e o Benfica acentuou o estatuto de líder ao vencer o rival por 4-3, em partida na qual foi quase sempre superior. José Augusto lançou a festa no primeiro minuto e Cavém elevou para 2-0 aos 10’ – ao intervalo as águias venciam por 3-1 (Seminário reduziu aos 19’ mas José Águas repôs a diferença aos 26’). José Augusto foi decisivo ao assinar o 4-1, aos 50’, de penálti. Quando as equipas pareciam resignadas, Monteiro fez o 4-2 aos 81’ e Lúcio devolveu o Sporting ao jogo 3 minutos volvidos. Nas contas finais, a vitória da águia valeu um título – foi campeã com apenas 2 pontos de vantagem sobre o Sporting. Na última jornada, os encarnados perderiam com o Belenenses na Luz (1-2). Foi a única derrota de uma equipa que se preparava para ser campeã invicta.

1954/55 - Estreia do Monstro Sagrado

Benfica, 1 – Sporting, 1

Foi uma época importante, que marcou a entrada no profissionalismo, processo impulsionado por Otto Glória (Benfica) e Fernando Riera (Belenenses). O primeiro dérbi na velha Luz foi disputado a 13 de março de 1955 e terminou empatado (1-1). Coluna, na época de estreia, marcou aos 4 minutos e Artur Santos empatou, aos 61’, na própria baliza. O Benfica seria campeão em igualdade com o Belenenses. O empate com os leões revelou-se de ouro.

1982/83 - Golo do “pequeno genial”

Benfica, 1 – Sporting, 0

Quando entrou em campo para defrontar o eterno rival, o Benfica já era campeão nacional – tinha feito a festa na jornada anterior, na sequência da vitória em Portimão (1-0, golo de Carlos Manuel). A 29 de maio de 1983, Chalana fez o tento decisivo aos 9 minutos. O dérbi, correspondente à 29.ª jornada, ficou ainda marcado por dois momentos inesquecíveis: Meszaros defendeu grande penalidade de Bento aos 35’; Bento defendeu penálti de Jordão aos 87’. Os encarnados puderam, assim, festejar sem reservas, graças ao golo do inesquecível “pequeno genial”.

1971/72 - A marca eterna do rei Eusébio
Benfica, 2 – Sporting, 1

A tarde era de festa. Na penúltima jornada, o Benfica, já campeão, recebia o Sporting que parecia condenado ao terceiro lugar – o segundo foi o V. Setúbal, de José Maria Pedroto. O jogo teve a força de concentrar a força de dois dos maiores goleadores da história do futebol português: rei Eusébio, que apontou os dois tentos dos encarnados (1’ e 29’), e Hector Yazalde (56’), o argentino que marcou uma era em Alvalade. O rei em 1972/73 e Chirola em 1973/74 seriam “Botas de Ouro” europeus.

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