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Livre de Cílio Souza na Luz provocou o despedimento de Jesualdo Ferreira...
Passaram dez anos, mas Cílio Souza vive o triunfo do Gondomar, na Luz, como se tivesse acontecido ontem. Mora em Aveiro, joga no Oliveira do Bairro, mas habituou-se a uma realidade que o acompanha desde essa tarde de 24 de novembro de 2002.
“As pessoas conhecem-me como o gajo que fez o golo ao Benfica, mas não recrimino ninguém por isso”, desabafa o brasileiro que se casou com uma portuense e, aos 36 anos, continuar a fazer do futebol a sua vida, agora na 3.ª Divisão.
O grande golo que apontou no reduto das águias, de livre direto, eliminou o Benfica da Taça de Portugal e provocou uma comoção nacional, resultando no despedimento de Jesualdo Ferreira. O que CílioSouza não revelou, na altura, é que o pesadelo do Benfica começou no sonho que teve na noite anterior ao duelo.
“Fomos para um hotel em Lisboa e quando acordei, na manhã do jogo, comentei com o meu companheiro de quarto que tinha sonhado que íamos ganhar por 1-0, e que seria eu o marcador do golo, de penálti”, conta Cílio, cuja premonição apenas errou no tipo de lance de bola parada que acabaria por causar um verdadeiro terramoto.
A força desse sonho foi inspiradora e levou o avançado a acreditar que era possível, logo aos 10 minutos, desfeitear o guardião Nuno Santos, nesse dia o titular do Benfica. “Quando aconteceu o livre disse logo ao Souzé, que estava ao meu lado, para me deixar bater que ia meter a bola do lado do guarda-redes. Entrou mesmo onde eu queria”, revive Cílio Souza, quase encontrando uma explicação divina para o momento de glória que deixou o seu nome gravado na história do futebol português: “Foi o pé de Deus...”
Hoje em dia, até no balneário do Oliveira do Bairro ouve regularmente os colegas culparem-no de um sucesso que reparte com o resto da equipa do Gondomar, que então competia na 2.ª B. “Se o Nuno Claro não tivesse feito grandes defesas o meu golo não ia valer de nada. Foi o Gondomar que ganhou ao Benfica, não o Cílio. Por isso não me sinto herói”, conclui o goleador que ofereceu o equipamento usado na Luz ao seu irmão no Brasil.
Apito Dourado sempre a pairar
O escândalo do Apito Dourado manchou o nome do Gondomar Sport Clube. Presidido em 2002 por José Luís Oliveira, que viria a ser condenado a três anos de prisão com pena suspensa, o emblema da autarquia presidida por Valentim Loureiro nem o épico triunfo da Luz conseguiu manter incólume às suspeições que tanta polémica causaram.
Alguns anos mais tarde, as investigações da Polícia Judiciária permitiram descobrir que o árbitro António Taia, de Setúbal, havia recebido, a título de presente, uma pulseira de ouro com o seu nome e inscrição do jogo Benfica-Gondomar. Um ato habitual para os gondomarenses, mas censurado pela justiça civil e desportiva.
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