Nuno Martins: «Nunca nos disse não»

FOI O PRIMEIRO TREINADOR DE EUSÉBIO

Nuno Martins: «Nunca nos disse não»
Nuno Martins: «Nunca nos disse não» • Foto: rui minderico

Lourenço Marques, 1959. Nuno Martins, treinador-jogador do Sporting local, preparava-se para encerrar um dia normal de trabalho. Após o treino, trabalhava com os guarda-redes quando um funcionário do clube se aproximou: “Estão ali cinco miúdos que querem fazer testes para os juniores, acabaram de ser rejeitados pelo Desportivo”, o clube rival. Apesar de passar das 21 horas, o funcionário insistiu, conhecia um deles e era craque. Otécnico deu ordem para se equiparem e minutos depois conheceu os miúdos – um deles era Eusébio e a sua lenda começou nesse dia.

“Jogaram meia hora, em meio campo, e ele destacou-se. Além da voz de comando tinha um talento excecional. No final disse-lhe que podia ficar connosco mas surpreendeu-me com a resposta: ‘ou ficamos todos ou não fica nenhum’. Aceitei e dei ordem para inscrevermos os cinco nos juniores, visto ser essa a forma de ficarmos com Eusébio”, recorda o primeiro treinador do Pantera Negra nos seniores.

O avançado cumpriu um ano nos juniores do Sporting Lourenço Marques, filial do clube de Alvalade, e em 1960, com 17 anos, foi chamado por Nuno Martins. “Perguntei-lhe se queria cumprir outra época nos juniores, mas respondeu que queria ir para as Honras, como se chamava ao plantel principal nesses tempos.”

Eusébio estreou-se frente ao seu clube do coração, o mesmo que o rejeitara um ano antes. “Jogámos a Taça Salazar, contra o Desportivo. Eram jogos de grande rivalidade, tipo os Benfica-Porto de hoje. Ganhámos 3-1 com três golos de Eusébio. No final chorou por ter marcado à equipa de que era adepto.”

O avançado conheceu, pouco depois, outra realidade. “Foi pela seleção de Moçambique a uma digressão nas Maurícias, onde se estreou num relvado. Revelou a mesma qualidade demonstrada nos pelados”, conta Nuno Martins.

Fuga para o Benfica

Em 1960, Eusébio avisou que ia faltar ao treino pois iria viajar, o destino era o Benfica. “Disse-me que os dirigentes do Sporting sabiam. Na verdade... desapareceu nesse dia. Mais tarde especulou-se que ficou em casa de um representante do Benfica, que tratou da viagem. Não houve rapto, mas esconderam-no. O resto é conhecido, voou para Lisboa com nome de código Rute e ao Sporting deram a informação de que seguia no navio Príncipe Perfeito...”, diz.

Pela vida fora Nuno Martins nunca perdeu o contacto com o Pantera. “Nunca nos disse não. Quando o convidava para jogos aparecia sempre. Mudou foi a forma como me tratava, deixou de ser senhor ou mister e passou a tratar-me por Nuno, como um amigo, isso deixou-me muito orgulhoso.”

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