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Record - A Catarina chega como um das cabeças de série a Tóquio’2020. Que objetivos tem definidos para a prova, tendo isso em conta?
Catarina Costa – Neste momento estou em 8º no ranking mas, tendo em conta que uma atleta francesa que está à minha frente não vai, passarei para 7º. Tenho alguma ambição. Gostava muito de fazer quatro combates e ganhar o máximo possível. Na melhor das hipóteses, só poderei fazer quatro e vencê-los todos seria o melhor que podia pedir. Se não, o objetivo passa por vencer o máximo possível.
R - O facto de estar no lote de favoritas funciona como uma pressão acrescida ou, pelo contrário, é uma almofada de conforto?
CC – Serve como uma motivação, mas dá também alguma responsabilidade. Porque tenho noção que vou ser um pouco mais estudada do que outras adversárias. Sei que sou uma das candidatas a seguir em frente na competição... Eu própria vou estudar com muita cautela as minhas adversárias. Sei que agora não sou mais uma. Já olham para mim com outros olhos, outro respeito. Mas acho que isso é bom! Ganhei um respeito por parte de outras atletas que antes não tinha.
R - Recentemente terminou o Campeonato do Mundo na 9ª posição. Foi uma desilusão não ter conseguido ir mais longe ou serviu como um teste para os Jogos?
CC – Sou uma pessoa muito ambiciosa, portanto saí algo desiludida. Sei que tinha capacidade para muito mais - provavelmente para disputar mesmo as medalhas. Mas não me preparei para aquela prova como fiz, por exemplo, para o Mundial’2018, em que disputei medalhas. Tínhamos consciência que iria estar mais cansado e não seria tão eficaz. Serviu como um teste, mas sei que estou no caminho certo e que vou estar muito bem.
R - Num ano de pandemia, de que forma se torna mais complicado preparar Mundiais e Jogos com tão pouco tempo de intervalo?
CC – Comecei a preparar os Jogos em abril, tive o foco basicamente nisso e aliviámos a carga física na semana do Mundial. Em março de 2020, eu e o meu treinador antecipámos o que podia acontecer. Aí, eu e outras duas colegas do clube [Académica] decidimos alugar uma casa e ficámos a viver juntas. Como se fosse um estágio em bolha. Conseguimos abstrair-nos da situação pandémica e de toda a desgraça que se vivia. Com o desconfinamento começaram os estágios da federação.
R - Volta-se um pouco ‘enferrujado’ após uma paragem tão longa devido à pandemia?
CC – Sente-se a falta da competição, claro. Ainda para mais, eu vinha de uma lesão. Então quando voltei foi um pouco complicado. Mas correu bem durante a pandemia, por estar numa casa com as minhas colegas. Tínhamos um espaço ao ar livre, onde montámos um tapete de judo e tivemos uma espécie de ginásio adaptado ao ar livre. Acho que correu bem, porque ficámos todas em forma, sentimos que estávamos a evoluir bastante e acabou por ser muito bom a nível mental. Conseguimos libertar alguma tensão que vivíamos no início da pandemia.
R - O judo era uma das modalidades de alto risco. Isso tornou ainda mais fácil a vida dos atletas?
CC – A adaptação não foi propriamente difícil, mas sentimos alguma desmotivação. Perdemos sobretudo atletas mais novos e isso tem sido difícil de recuperar. Mas claro que fomos tomando as medidas necessários. Fomos testados semanalmente, portanto tínhamos uma segurança extra. Felizmente no clube não tivemos qualquer surto. Mas a falta de apoio fez com que alguns abandonassem o judo e isso dá alguma pena, claro...
Por Filipe Balreira