Leila Marques: «Temos histórias extraordinárias»

Entrevista à Chefe de Missão para os Jogos Paralímpicos

• Foto: Fernando Ferreira

RECORD - Será possível a curto prazo encurtar distâncias para outros país no desporto paralímpico?

LEILA MARQUES - Temos de arranjar formas. O setor estatal é fundamental e tem de haver uma revisão no apoio ao Desporto. Um estudo recente demonstrou que precisamos de mais apoio por parte do Governo, mas também julgo que o setor privado deve ter um papel importante. Tem de apoiar os atletas, federações e comités, porque, quer sejam olímpicos ou paralímpicos, tratam-se de atletas de excelência. São metódicos, trabalhadores e sabem trabalhar em equipa. Precisamos de dar a conhecer os nossos atletas e mostrar como é importante o investimento no desporto. Os nossos atletas paralímpicos representam todo o potencial de alguém com deficiência.

R - A inserção nos paralímpicos acaba por ter uma vertente desportiva, mas também uma missão social de inserção…

LM - Quando falamos de paralímpicos, falamos de excelência desportiva. Trata-se de alguém que obteve uma marca de qualificação para estar nos Jogos. Antes os atletas passam por várias fases: reabilitação, capacitação e o empoderamento psicológico das pessoas com deficiência. Temos histórias de vida extraordinárias, de superação e resiliência. Não queremos que sejam vistos como super heróis. Nada disso. Mas são realmente pessoas extraordinárias, que conseguiram ultrapassar a adversidade da sua deficiência. Isso tem de ser uma referência para a sociedade e os jovens. Vemos histórias de vida que são um exemplo para todos.

R - A nível de atletas, houve uma grande quebra na formação?

LM - Sem dúvida. Houve uma quebra muito grande da prática desportiva nos escalões mais precoces. Preocupa-nos muito os próximos 2/3 anos e a dificuldade em renovar a equipa paralímpica. A pandemia tornou ainda mais difícil o recrutamento. Tem de haver uma análise entre Federações e Comité para perceber como podemos captar novos atletas. As pessoas com deficiência muitas vezes não estão em clubes, mas sim em instituições. É fundamental perceber como se faz a transição das crianças desde a fase de reabilitação para a vertente competitiva. Essa análise terá de ser feita logo após os Jogos. Para não planearmos Paris’2024, mas sim os ciclos de Los Angeles (2028) e Austrália (2032).

Por Filipe Balreira
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