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Aos 66 anos, Teodoro não se cansa. Descobriu o desporto adaptado no sofá durante “a vida de reformado”. Depois disso nunca mais parou: andebol, basquetebol, ténis de mesa, vela... e não quer ficar por aqui
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Record – Quando é que começou a prática do desporto adaptado?
Teodoro Cândido - Foi uma coincidência ter começado a praticar. Eu sabia que havia desporto na modalidade de basquetebol por causa dos deficientes das Forças Armadas, mas nas outras modalidades eu desconhecia. Quando fiz 62 anos estava no sofá a ver televisão. Aquela vida de reformado. E vi a notícia de que tinha chegado a Seleção de andebol em cadeira de rodas. Não sabia que existia esta Seleção. Depois fui pesquisar e reparei que muitos atletas já tinham cabelos brancos. Pensei que se eles podem, eu também posso. Joguei andebol enquanto jovem. Comecei a praticar e como viram que eu tinha jeito perguntaram se também podia jogar basquetebol. Reparei que quando me sentava na cadeira esquecia tudo o resto. Todos os dias faço desporto.
R – Mas porquê só aos 62 anos?
TD – É uma pergunta engraçada. Porque nunca tive ninguém que me incentivasse e isso eu lamento. Estive em Alcoitão já lá vão quase 30 anos e aí é que me deviam ter incentivado a praticar desporto.
R – Qual é a sua limitação?
TD – Não tenho a perna direita.
R – Como é que isso aconteceu?
TD – Tenho a doença de Buerger. Uma veia estrangulou-se e eu estive nove meses com uma ferida no pé e eles [médicos] não detetaram o que era. Só ao fim desse tempo é que perceberam que tinha uma veia entupida e não havia sangue para cicatrizar a ferida. Fui operado, ainda andei cinco anos com tubos plásticos, mas voltava sempre a entupir. Já não havia nada a fazer. Tive de ser amputado.
R – Que idade tinha nessa altura?
TD – Uns 38. Nessa altura já não praticava desporto. Pratiquei andebol até aos 32 anos. Em miúdo joguei no Sporting. Quando fui para a tropa joguei na U. Leiria e quando voltei fui para os clubes da minha zona, como Paço de Arcos e Oeiras.
R – Depois colocou uma prótese. Adaptou-se bem?
TD – Adaptei-me muito bem. Agradeci à equipa médica que me fez a amputação. Arriscaram muito ao cortar abaixo do joelho. Como havia falta de sangue o coto demorou muito tempo a cicatrizar. Eles arriscaram. Eu lutei, mas eles também lutaram. Hoje tenho um andar completamente normal. Depois continuei a trabalhar. Eu tinha uma pequena firma metalúrgica. Subia e descia andaimes e as pessoas nem reparavam que eu não tinha uma perna.
R – Voltando agora ao desporto. Andebol, vela, basquetebol, ténis de mesa... qual é que gosta mais?
TD – O que gosto mais é o andebol. Há dois anos fui campeão europeu, mas, com muita pena, tive de desistir devido à idade. Tenho problemas nos ombros. Já consegui ser campeão europeu com 65 anos, o que não é fácil.
R – Certamente havia atletas no Europeu bem mais novos do que o Teodoro...
TD – Chamavam-me avozinho. Tinham idade para ser meus netos. Estavam lá moços com 20 anos! Eu tenho 66!
R – Foi o momento mais alto da sua carreira?
TD – Sem dúvida.
R – E qual é que foi a sensação de ganhar um Europeu?
TD – Foi uma sensação difícil de descrever. Desde a altura em que fui convocado para ir ao estágio, depois os treinos, depois as escolhas, já que são chamados 30 atletas e depois a pouco e pouco alguns vão sendo eliminados até ficarmos 12. Quando recebo a notícia de que tinha sido convocado para ir ao Campeonato da Europa até chorei. É verdade.
R – E a sensação de ganhar?
TD – Foi igual à que tive quando fui chamado para o Europeu. A alegria é tão grande que eu estou a falar consigo e as lágrimas estão a começar a aparecer.
R – Vai continuar até o corpo não conseguir mais?
TD – É até a saúde deixar. À medida que o corpo vai dizendo que não, eu vou optando por modalidades que me vão deixar ter o gostinho no dedo. Eu quando pratico desporto não é só por praticar. É para competir. Posso não ganhar, mas tenho de dar luta. No ano passado meti-me na vela adaptada no Naval de Cascais e fui campeão nacional em dupla. Depois fui ao Campeonato da Europa com mais um colega meu e ficámos em 5º lugar. O andebol não deu. Tenho pena porque a saúde não deixou. Fiz várias ressonâncias magnéticas e o médico disse que me arriscava a ser operado aos ombros e parei. Agora pratico outros desportos. Continuo no basquetebol porque não faço tanto esforço nos ombros. Agora estou aqui a falar consigo, mas daqui a pouco vou ao treino de basquetebol até às 23h30. Isto não pára!
R – E sagrou-se campeão nacional de ténis de mesa. Como é que começou a prática?
TD - Foi engraçado. Há coisa de dois anos e meio, eu e um colega meu fomos ver um torneio a Setúbal promovido pelos Jogos Santa Casa. Achámos que com uns treinos íamos lá. E assim foi! Há um clube de ténis de mesa ao pé de mim que é o Desportivo Monte Real e fui lá pedir para treinar. Ao fim de um ano fui campeão nacional.
R – Ainda pratica ténis de mesa?
TD – Este ano parei porque estou a apostar tudo na vela para ir ao Campeonato do Mundo. Não se pode ter tudo, mas para o ano posso voltar.
R – Onde é que vai ser o Campeonato do Mundo?
TD – Nos Estados Unidos.
R – É um aventureiro...
TD – É verdade [risos].
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