São muitas e tremendas as histórias que se vão conhecendo na sequência do terrível desastre ferroviário ocorrido em Adamuz (Córdova), Espanha, e que provocou a morte de pelo menos 41 pessoas. Também Capel, ex-futebolista espanhol que alinhou no Sporting e fez a maior parte da carreira em Sevilha, partilhou nas redes sociais uma reflexão na sequência do acidente, ele que seguia no comboio a seguir ao comboio que descarrilou.
"Finalmente em casa e com o coração nas mãos depois do grande susto e da tragédia de ontem [domingo]. E agora, depois de ter feito uma reflexão sobre tudo o que vivi só me resta agradecer a Deus. Digam 'amo-te' e abracem toda a gente porque nunca sabemos quando será o último dia. Toda a minha força, solidariedade e pêsames aos familiares de quem foi afetado e dos falecidos", começou por escrever o espanhol para, horas depois, esclarecer melhor as suas palavras.
"Quero agradecer a todos os meios de comunicação e a todas as pessoas que me contactaram interessados na minha situação. Esclarecer que, felizmente, eu não viajava no comboio implicado no acidente. Não chegámos a Sevilha e o comboio no qual me encontrava teve de voltar para Madrid [o ex-jogador seguia viagem entre a capital e Sevilha]. Lamento se a minha mensagem anterior possa ter gerado algum mal entendido. Reitero o meu agradecimento a todos os que se preocuparam comigo e volto a deixar as minhas condolências aos familiares e amigos das vítimas".
O acidente ocorreu pelas 19:45 de domingo (18:45 em Lisboa), no município de Adamuzm, na província de Córdova, e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, de Madrid para Huelva. O número de mortes já subiu para 41, segundo a agência EFE e 39 feridos continuam hospitalizados, 13 dos quais – um deles menor de idade – estão na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).
Dois portugueses que estiveram envolvidos no acidente e estão bem, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma subestação de manutenção da linha e um ponto de mudança de agulhas.
Os dois primeiros vagões do comboio da Renfe foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.
O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de hoje a quinta-feira.
O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometeu tornar públicas, "com transparência e claridade", as conclusões da investigação do acidente, que qualificou como "uma tragédia" que deixa "dor em toda a Espanha".