«Temos de os levar a ver os mortos?»: médico desesperado insurge-se contra os runners

Michele Zasa, médico italiano responsável no MotoGP, com duras palavras contra as pessoas que não cumprem as regras

Com o Mundial de MotoGP parado e com todos os pilotos em isolamento devido ao Covid-19, há profissionais do mundo das corridas de duas rodas que não têm descanso. É o caso dos elementos da Clinica Mobile que, em tempo de corridas, cuidam da saúde dos pilotos e em tempo de paragem... fazem o mesmo mas de outra forma.

À La Gazzetta dello Sport, Michele Zasa, responsável máximo da Clinica Mobile, explicou a situação crítica que está a viver em Itália e a forma como muitos ainda não estão a olhar de frente para a pandemia que o Mundo enfrenta. "Há alturas em que me dá vontade de agarrar nas pessoas e levá-las para as suas casas. Nas ruas continuas a ver pessoas sentadas nos bancos, a passear, a correr. Estamos a combater um exército invísivel, mas muita gente está indiferente. Só estão a contribuir para que haja um maior número de contágios".

E prossegue, sublinhando estar a viver "situações inimagináveis": "Já vi coisas muito duras na minha vida de médico, mas isto é outra coisa. É um stress constante e muito elevado também porque temos de seguir procedimentos muito rígidos para evitar possíveis contágios com  os pacientes. Em pouquíssimo tempo, vimo-nos numa situação de emergência absoluta".

Michele Zasa insurgiu-se ainda contra os 'runners' que agora se multiplicam em Itália. "O verdadeiro problema agora é ver tanta gente jovem que começa a estar mal. Itália transformou-se num país de corredores. Temos de os levar a ver os mortos? Nós, os profissionais de saúde, estamos no limite das nossas forçass. É a Terceira Guerra Mundial, é preciso que as pessoas o entendam".

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