AMATT, o projeto que combate a viciação de resultados desportivos

Conferência internacional em Roma contou com várias especialistas, incluindo portugueses

Rute Soares, coordenadora do departamento de Integridade e Compliance da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)
Marcelo Moriconi, investigador e professor no Centro de Estudos Internacionais do  ISCTE
Rute Soares, coordenadora do departamento de Integridade e Compliance da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)
Marcelo Moriconi, investigador e professor no Centro de Estudos Internacionais do  ISCTE
Rute Soares, coordenadora do departamento de Integridade e Compliance da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)
Marcelo Moriconi, investigador e professor no Centro de Estudos Internacionais do  ISCTE

A cidade de Roma recebeu, no início deste mês, a conferência internacional AMATT (Anti Match-Fixing Top Training), um projeto que junta os especialistas e as melhores práticas para lutar contra a viciação de resultados no desporto. Record foi o único órgão de comunicação social português convidado para este evento.

De Portugal viajaram também Rute Soares, coordenadora do departamento de Integridade e Compliance da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e Joana Gonçalves do Comité Olímpico de Portugal. "As organizações desportivas adotam medidas de prevenção nesta matéria se a sua liderança estiver devidamente esclarecida dos riscos inerentes e tiver vontade séria em agir. A relevância do programa AMATT reside nisso mesmo, na medida em que se propõe sensibilizar a liderança de organizações e os órgãos de comunicação social", reforçou Rute Soares.

A advogada explicou ainda como a FPF tem batalhado contra os resultados combinados. "A FPF adotou regras, colaborou com a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária na alteração do Regime de Responsabilidade Penal por Comportamentos Antidesportivos (Lei 50/2007), disponibilizou um canal de denúncia (anónimo), contratou uma empresa especializada na monitorização de apostas em provas por si organizadas ou reconhecidas e tem investido seriamente na formação de agentes desportivos. As ações de prevenção serão ainda, esta época, e com o apoio das Associações Distritais, estendidas às camadas jovens e considera-se que o seu contributo para a prevenção se prende no facto de nelas se ensinar a identificar uma abordagem e a conhecer as possíveis consequências para carreira desportiva dos agentes desportivos envolvidos na manipulação de resultados ou incidências de um jogo de futebol ou futsal", referiu Rute Soares.

Mas, afinal, como funciona a viciação de resultados? A forma de atuar já está identificada pelas autoridades: costumam ser máfias ou organizações criminosas que, para obter lucros em apostas, sobretudo no mercado asiático, encarregam uma pessoa (normalmente conhecedora do meio desportivo) para que esta crie uma relação de confiança com  um árbitro, treinador ou jogador e, logo de seguida, em troca de dinheiro ou promessas, propor a manipulação do resultado de um jogo, de uma parte ou qualquer incidência. Os alvos são, regra geral, jogadores inexperientes, em final de carreira ou com dificuldades económicas. No entanto, qualquer agente desportivo está sujeito a abordagens destes grupos.

O projeto T-PREG

Marcelo Moriconi também esteve na conferência internacional AMATT. Argentino, reside em Portugal já que é investigador e professor no Centro de Estudos Internacionais do  ISCTE, em Lisboa.  É coordenador do projeto ‘T-PREG’, siglas do nome inglês ‘Training to Protected Reporting from Profissional and Grassroots’, um programa para proteger quem faz as denúncias.

"O projeto permite que universidades, governos, instituições desportivas e da sociedade civil trabalhem em conjunto. No caso do T-PREG há instituições de 6 países: Portugal, Itália, Bélgica, Espanha, Eslovénia e Holanda. O objetivo do T-PREG é avaliar os sistemas de denúncias existentes na Europa e o contexto no qual se está obrigado a denunciar. Uma robusta investigação científica determinou que, embora o facto de denunciar seja uma obrigação disciplinaria, e legal em alguns países, denunciar a manipulação de resultados e corrupção no desporto continua a ser perigoso, porque quem denuncia pode ser prejudicado deportiva e pessoalmente. Por isso, é importante criar melhores condições para a denúncia e o T-PREG prepara um guia e uma formação prática online para que possam ser feitas as denúncias", explicou o investigador.

Por David Novo
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