António Costa diz que é cedo para "aligeirar medidas" na região de Lisboa

Primeiro-ministro considera que a UE tem sido melhor na resposta económica e social à crise do que na gestão das fronteiras internas

António Costa considera "prematuro" reduzir o nível de restrição das medidas de contenção da pandemia em vigor na Área Metropolitana de Lisboa (AML) e, sobre a exclusão de Portugal dos corredores aéreos abertos por vários países europeus, o primeiro-ministro fala em "retaliação" e critica a gestão deficiente das fronteiras internas até aqui feita pela União Europeia.

Depois de já se ter reunido com os autarcas de Sintra e da Amadora, o chefe do Governo encontrou-se esta manhã com o presidente da autarquia de Loures, o comunista Bernardino Soares, cumprindo assim encontros com os líderes de três dos cinco concelhos mais afetados pela pandemia na AML, onde se situam as 19 freguesias que permanecem no estado de calamidade pública.

No final, e questionado pelos jornalistas quanto a uma eventual redução do grau de restrição na AML, Costa foi peremptório: "É prematuro estar a aligeirar medidas". "Não devemos desvalorizar o facto de haver, em alguns locais muito precisos, uma taxa de incidência muito elevada", acrescentou notando que "no resto do país a situação [está] absolutamente tranquila". 

Depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter assegurado, no final da última reunião no Infarmed com especialistas em saúde pública, que o transporte ferroviário não é responsável pelo aumento de contágios, Costa reiterou a ideia, porém deixou margem para que essa situação venha a mudar dada a incerteza que envolve todo o processo da pandemia. 

Questionado sobre se a situação está ainda controlada nos comboios, o também líder do PS lembrou que "não devemos ter absolutas certezas" e que se deve optar por um "método de dúvida permanente", realçando que as queixas dos autarcas da AML, inclusive de Bernardino Soares, se prendem "com a situação do transporte rodoviário". 
Não devemos desvalorizar o facto de haver, em alguns locais muito precisos, uma taxa de incidência muito elevada António Costa
Portugal nas "listas vermelhas"? "Injusto" e "retaliação"
Perante o crescendo de países que mantêm Portugal de fora dos corredores aéreos rebaertos, Costa fala em injustiça e até mesmo em retaliação. 

"Manifestamente é injusto. É injusto incluir Portugal em listas vermelhas. Quem veja essas classificações, parece que estamos numa situação de risco generalizado e muito elevado comparativamente com outros", declarou. Costa não esqueceu o passo atrás dado pela Bélgica, saudando o facto de ter "compreendido a diferença da situação do país no seu conjunto e a [situação] especifica em algumas localidades".

António Costa insistiu que os valores dos contágios que levaram à exclusão do país de corredores aéreos resulta do "grande esforço de testagem" feito, estratégia válida e para manter até porque "tem permitido isolar os casos ativos e conter a pandemia". 

"Há países que só testam situações sintomáticas, outros que testam assintomáticos. Há outros que só testam casos suspeitos, outros que vão à procura de grupos específicos", prosseguiu dizendo que estas diferenças redundam em "discrepâncias".

O primeiro-ministro foi mesmo mais longe ao considerar que há casos de países que são colocados nas linhas vermelhas por "retaliação": "Como havia países que os puseram em listas vermelhas, retaliaram". 

Em resumo, Costa concluiu que a União Europeia tem estado melhor na resposta à crise económica e social resultante da pandemia do que na gestão das fronteiras internas, e avisou ser "preciso muito bom senso e diálogo sério das instituições europeias".  

Plano de Costa Silva ainda é "versão preliminar"
Um dia depois de ter sido noticiado o Plano de Recuperação Económica preparado pelo gestor António Costa Silva, o qual integra ideias como a aposta na alta velocidade entre Lisboa e Porto, o governante precisou que em causa está um documento que é ainda uma "versão preliminar".  

António Costa explicou que o líder da Partex apresentou ontem ao Governo o documento para que os "diferentes ministros" possam avaliar o trabalho desenvlvido, mantendo-se o objetivo de que "no final do mês possa ser apresentado [o documento final] pelo professor Costa Silva para discussão pública".

Por Negócios
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