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Um dos maiores nomes da literatura portuguesa faleceu aos 83 anos
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António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea, faleceu ontem, aos 83 anos, em Lisboa. Médico por formação e escritor por paixão, começou a publicar em 1979, abrindo com o livro 'Memória de Elefante' uma trajetória de grande fulgor. Distinguido com vários prémios nacionais e internacionais, Lobo Antunes nunca escondeu uma ardente paixão pelo desporto em geral e pelo Sport Lisboa e Benfica em particular.
Nasceu a 1 de setembro de 1942, justamente em Benfica, quando o bairro era um subúrbio lisboeta de traço semi-aristocrático e o qual revisitou inúmeras vezes na escrita, sobretudo em crónicas. Filho-família da alta burguesia, foi um aluno irregular, frequentando o Liceu Camões ao lado de futuros escritores e editores, como José Cardoso Pires e Luiz Pacheco. Já formado em Medicina conforme era desejo do seu pai, o neurologista João Alfredo Lobo Antunes, especializou-se em psiquiatria. Mobilizado para Angola em 1971, viveu na Guerra do Ultramar uma experiência que lhe marcou profundamente o corpo de obra. Voltou dois anos depois e passou lentamente a substituir a escrita pela prática clínica, conciliando as duas atividades até se afirmar como autor. Tinha-se como romancista primeiro e cronista muito depois. Escreveu em jornais e revistas. Sobretudo crónicas, repletas de memórias. Apaixonado, controverso, intenso, angustiado, solitário e talentoso, António Lobo Antunes criou um novo estilo, revolucionário para alguns. Com uma escrita inversa ao tipo de narrativa tradicional, era meticuloso na construção. O isolamento no ato de escrever era o que mais o fascinava: "Divirto-me muito comigo mesmo", confessou. Longe de ser consensual num meio literário português fértil em questiúnculas, invejas e rivalidades, Lobo Antunes sempre assumiu as suas influências, sonhos e anseios. Nunca conquistou o Prémio Nobel, algo que depois relativizou: "Quem ficaria feliz com isso, já cá não está."
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O sucesso literário de Lobo Antunes correu mundo, assim como a notícia da sua morte. Profusamente lembrado pelas principais figuras do panorama nacional, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que irá atribuir ao escritor o Grande-Colar da Ordem Camões, a mais alta distinção cultural do Estado. Com a saúde fragilizada, Lobo Antunes estava arredado da vida pública há anos. Partiu ontem. Já eternizado.
As cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes começam hoje, no Mosteiro dos Jerónimos. O funeral realiza-se amanhã, dia de luto nacional, às 10h00, com missa de corpo presente às 12h00, seguindo depois para o Cemitério de Benfica.
Entusiasta do desporto e benfiquista assumido, António Lobo Antunes teve no desporto um tema recorrente da sua obra. Mas a única modalidade que Lobo Antunes praticou foi hóquei em patins, no Futebol Benfica, o popular Fofó. Tal como mais tarde na medicina, também ali seguiu os passos do pai. Numa das suas crónicas, lembrou o que lhe disse o treinador mal calçou os patins: "Sempre estou para ver se lhes chegas, ó ruço, que o teu pai no rinque era lixado para a porrada." Lobo Antunes escreveu sobre outras personalidades ímpares do desporto, como Eusébio, Frederico Barrigana, ex-guarda-redes do FC Porto, e também Tarzan Taborda, uma figura incontornável da luta livre em Portugal. A todos dedicou crónicas e fez menções do mais fino recorte literário.
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