COP e a perda de credenciais do laboratório antidoping: «Danos reputacionais irreparáveis»

Organismo emite comunicado onde realça ter advertido "para a iminência deste desfecho"

• Foto: DR Record

O Comité Olímpico de Portugal (COP) considerou esta sexta-feira que a revogação das credenciais do Laboratório de Análises de Dopagem (LAD) de Portugal "compromete décadas de investimento que colocaram o país na vanguarda" do combate ao doping.

Em comunicado, o COP refere que a decisão da Agência Mundial Antidopagem (AMA), tomada na segunda-feira, provoca "danos reputacionais irreparáveis para o desporto português", realçando ter advertido "para a iminência deste desfecho", dada a anterior suspensão, ocorrida em abril de 2016.

"A situação a que chegámos tem origens muito para além das responsabilidades do atual Governo e ultrapassam a área do desporto. A ausência de políticas para o setor, a par do desinvestimento feito na modernização de toda área da medicina desportiva pública, com especial incidência no período em que Portugal esteve sob ajuda financeira externa, associada a uma inadequada seleção de recursos humanos para áreas de responsabilidade estratégica, penalizaram aquele que foi um dos setores mais qualificados do sistema desportivo nacional", prossegue o COP.

No mesmo comunicado, o COP diz que esta decisão da AMA "não deve ser desvalorizada ou considerada - o que seria lamentável - de efeito nulo no combate à dopagem, pelo que se aguarda, seja o apuramento total de responsabilidades, seja o anúncio das medidas políticas que a situação conhecida urgentemente requer".

"O COP reitera a sua disponibilidade para cooperar com as autoridades políticas e desportivas nacionais no sentido de minimizar os custos da decisão agora anunciada e de colocar Portugal em linha com aquelas que são as orientações da AMA em matéria de salvaguarda da integridade do desporto", concluiu.

A revogação das credenciais por parte da AMA impede o LAD de proceder à análise das amostras por parte de federações ou organizações desportivas que tenham assinado o código mundial antidopagem.

Contactado pela Agência Lusa, o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, admitiu a possibilidade de vir a recorrer da decisão da AMA.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a AMA revelou estar insatisfeita com os resultados de uma inspeção realizada para "assegurar a completa fiabilidade e precisão das análises antidoping e na divulgação dos resultados".

O LAD foi suspenso em 15 de abril de 2016 por um período de seis meses, tendo essa suspensão sido mais tarde ampliada para um ano.

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