De futebolistas a empresárias: Filhas de Hernâni Vaz Antunes envolvidas no caso Altice

Jéssica Antunes está detida, enquanto Melissa Antunes terá sido constituída arguida

Hernâni Vaz Antunes, buscas
Hernâni Vaz Antunes, buscas
Adicione como fonte preferencial no Google

Jéssica Antunes é a filha mais velha de Hernâni Antunes e está também detida na investigação da Autoridade Tributária e do Ministério Público. A irmã, Melissa Antunes, terá sido constituída arguida. Jéssica inaugurou a dinastia de futebolistas e empresárias no clã Antunes, sendo seguida por Melissa, quatro anos mais nova.

A filha mais velha de  Hernâni Antunes já representava em 2016, com o pai, a Jana General Trading, o offshore sediado no Dubai que processou, em Portugal, a empresa brasileira Oi devido às alegadas comissões não pagas que Hernâni reclamava (perdeu o processo) pela compra da PT pela Altice. Hernâni reivindicava 70 milhões por ter apresentado os brasileiros aos seus sócios da Altice.

Segundo a revista Sábado, em 2016, tanto Jéssica como o pai tinham morada oficial fora de Portugal, na Tebra Embroideries Factory, New Industrial Agra, Po Box 300. O local? Amã, o emirado mais pequeno que integra os Emirados Árabes Unidos.

Em Portugal, pai e filha residiam em moradas diferentes em Gualtar e Pedralva, duas pequenas freguesias do concelho de Braga. Também a sede de várias empresas controladas pela família Antunes.

Com o tempo, foi a vez de a filha mais nova se juntar aos negócios do pai. Como a irmã Jéssica, Melissa nasceu no Canadá quando o pai estava emigrado. É licenciada em Educação Física pelo Instituto de Estudos Superiores de Fafe (IESF). Jogou futebol em clubes como o Gualtar, o Maria da Fonte (Póvoa do Lanhoso), o ARJ Mogege (Vila Nova de Famalicão), o Santa Luzia (Viana do Castelo) e o Braga. Chegou à seleção nacional.

Na véspera do Europeu Feminino de Futebol 11, na Holanda em 2017, os jornais descreveram-na assim: jogava futebol, dava aulas às sextas-feiras no IESF e passava as tardes num "escritório de contabilidade". A atleta acrescentou que já estava concentrada no futuro. "Tenho de começar a pensar no meu pós-futebol. Neste momento não agencio nenhum jogador, não posso, sou atleta, a minha sócia é que o faz, mas o objetivo será mesmo esse", contou.

Uma das empresas então detidas por Melissa era a Topballer, Sports Management, que a atleta constituiu em novembro de 2016 com a amiga Estrela Paulo, provedora no IESF e agente de atletas. Sediada em Guimarães e com um capital de 1.000 euros repartido pelas duas sócias, a Topballer visava agenciar atletas de todos os desportos, mas o futebol era o objetivo primeiro.

No Sporting de Braga, para onde foi jogar na época de 2016/17, Melissa e a sócia terão recrutado várias atletas. Quando o Benfica lançou a equipa feminina, algumas das contratações foram agenciadas pela Topballer – isso aconteceu até com o ex-técnico do Braga, João Marques, que passou a treinar o Benfica em 2018.

A situação da atleta terá levantado polémica no Braga e Melissa foi atirada para a equipa B, desligando-se do clube no fim da época 2017/18. Hoje, Melissa é a sócia-gerente da Topballer, tendo a empresa apenas faturado cerca de 70 mil euros em 2019 (17 mil de lucros). Só que Melissa não parou. Passou também a figurar como administradora de empresas do pai. Umas dão muito dinheiro, como a Edge Techonology, com sede na Zona Franca da Madeira e detida maioritariamente pela Vintagepanóplia e pela Vaguinfus, que estiveram por trás de vários negócios imobiliários com a Altice.

Por Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt)

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo

Ultimas de Fora de Campo

Notícias
Notícias Mais Vistas