Maria Barroso, minha avó, uma voz que faz falta à democracia

Dez anos depois da sua morte, Maria Barroso continua insubstituível. Primeira-dama, atriz, única fundadora feminina do PS, avó que ligava todos os dias ao neto.

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Mário Soares e Maria Barroso com o neto, Mário Barroso Soares
Mário Soares e Maria Barroso com o neto, Mário Barroso Soares • Foto: DR

Numa tarde banhada pela luz de Lisboa, o nosso carro percorria calmamente a cidade a caminho do rio. Ao passar pelo Aqueduto das Águas Livres, nessa tarde como em tantas outras, a minha avó repetia: Aqueduto! Explicando-me a etimologia da palavra: Aqueduto vem da palavra latina Aquaducto, que resulta da contração das palavras: Aqua e ductos significando: o que conduz a água.

Foi assim que, durante toda a minha infância, através das suas palavras o mundo ganhava sentido. Hoje, ao passar pelo Aqueduto das Águas Livres, lembro-me desses momentos em que a minha avó me revelava a beleza e história do nosso país. Nestes momentos, só nossos, por vezes partilhados com as minhas irmãs mais velhas, recitava passagens dos seus poemas prediletos, tantas vezes repetidos com a sua voz que se impunha sem se impor, e pontuados por umas mãos que já conheci enrugadas de uma vida longa.

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